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Um roteiro pelo Alto Minho, da fé ao copo de vinho

Cultura, gastronomia e festas populares marcam as celebrações de Páscoa no Minho - razão para o eleger para uma escapadinha de alguns dias.

24 de março de 2026 às 23:00
Alto Minho celebra a Páscoa com cultura, gastronomia e festas Duarte Roriz

Há poucas regiões como a do Alto Minho, no que à Páscoa diz respeito. Passe por lá no domingo santo, e é provável que se cruze com o compasso pascal, procissão em que o padre leva a Cruz de Cristo às casas dos congregantes para ser beijada e, por vezes, recebida com um farto banquete para quem a segue. Cultura, gastronomia e festas populares marcam as celebrações neste extremo-norte do País - razão para o eleger para uma escapadinha de alguns dias ao longo do rio Minho.

Começamos pela cidade-fortaleza de Valença, um dos mais antigos repositórios da história do País, entrando na fortificação em forma de estrela para chegar à praça-forte, e percorrendo as ruas medievais repletas de cafés, restaurantes e marcos históricos. E terminando nos limites da muralha, de onde a vista para o Minho, a margem espanhola e a cidade vizinha de Tui não se esquece.

Valença, Portugal: Visita à fortaleza e à vila minhota, num roteiro de cultura e fé na região Duarte Roriz

A união entre minhotos e galegos está inscrita numa tradição pascal: a cerimónia do Lanço da Cruz, património imaterial de Portugal, em que pescadores dos dois países se encontram no meio do rio para trocar cruzes, que seguem para as margens opostas para serem benzidas. Atravessamos a fronteira pela ponte para conhecer Tui, pequena e charmosa cidade ribeirinha que, como Valença, está enfeitada de artefactos do século XIII, com destaque evidente para a Catedral de Santa Maria, que se ergue, imponente, no seu ponto mais alto.

Por lá ficamos para jantar, no Bodegón O Conde, onde Xavi Álvarez construiu, sobre os escombros deste legado histórico - “uma antiga abadia com 300 ou 400 anos”, diz -, um dos mais interessantes novos restaurantes da região. As paredes de pedra antiga foram reforçadas, os estábulos dos animais tornaram-se pitorescas salas de refeição, e de uma antiga tasca galega, gerida por 40 anos pelo seu pai, fez-se uma cozinha galega criativa com pratos de partilha. Destacam-se as tortilhas de ovos (€7 a €10) e os solomillos, ou lombos na chapa, de porco, vitela ou vaca velha (€6,50 a €14,50).

Alto Minho celebra Páscoa com gastronomia, cultura e vinho Duarte Roriz

As vilas do Alvarinho

A reinvenção do passado está um pouco por todo o lado no Alto Minho - como no nosso pousio, o The Vinea Collection (a partir de €145 por noite), um “solar senhorial do século XVIII” em Badim, Monção, transformado no mais recente “projeto hoteleiro de qualidade com foco no wellness e bem-estar”, diz o diretor, João Brás. Inaugurado em janeiro, ainda estão a ser ultimados detalhes (os últimos quartos são retocados até à Páscoa; o spa e restaurante autoral vão funcionando a meio gás), mas, a julgar pelos sinais - as excelentes instalações, os quartos espaçosos e confortáveis e a vista para a serra fronteiriça -, tem tudo para ser um sucesso.

É o ponto de partida ideal para explorar as vilas irmãs de Monção e Melgaço, unidas pela produção do vinho Alvarinho, presente em cada mesa de esplanada ou menu de restaurante e homenageado no Museu do Alvarinho, em Monção, e no Solar do Alvarinho, em Melgaço, dedicados à promoção do vinho varietal. No embalo, conheça o Palácio da Brejoeira, edifício neoclássico do início do século XIX que se tornou, nos anos 70, uma das primeiras marcas nacionais de Alvarinho - numa visita guiada (€9,50), descubra as histórias dos seus jardins e salões, e remate com uma prova do seu vinho e aguardentes, vínica e bagaceira.

Roteiro no Alto Minho: cultura, gastronomia e celebrações da Páscoa Duarte Roriz

À mesa no Minho

Não é apenas o vinho que partilham Monção e Melgaço, duas vilas com muito em comum: as cidades velhas de edifícios centenários, rodeadas de muralhas com baluartes a servir de miradouros; ecopistas que acompanham o rio, imersas na natureza; termas idílicas, conhecidas pelas propriedades terapêuticas das águas. Em Monção, não deixe de visitar a antiga estação ferroviária, convertida em escola de música e pintura mural 3D; em Melgaço, o Parque Termal do Peso, com um frondoso jardim e o histórico Pavilhão da Nascente, em estilo Arte Nova.

Escultura em frente à muralha medieval de Valença, no Alto Minho Duarte Roriz

À refeição, vamos em busca das tradições. A Páscoa coincide com a Feira da Foda, e não há prato mais típico nesta altura do que a Foda à Monção, cordeiro assado no forno, servido com arroz, cujo segredo é ser marinado em banhos especiais, incluindo “na água das carnes do cozido”, diz Guilherme Tavares, há 30 anos cozinheiro no restaurante 7 à 7, em Monção. É também lá que aproveitamos a época da lampreia, especialmente escassa este ano (chega a €200 a unidade), em arroz de lampreia ou à bordalesa.

Na região de Melgaço, vale a pena afastar-se um pouco da vila para conhecer a Tasquinha da Portela, em Paderne, ponto de peregrinação pela sua abordagem criativa aos sabores da região, como nas tostas do famoso presunto de Melgaço com cebolada (€6), ou os filetes de polvo com arroz de feijão e enchidos (€27,90).

Visita ao Alto Minho: cultura, gastronomia e festas populares na Páscoa Pedro Miranda
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