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"É uma escritora, não é uma terrorista". Figuras da cultura assinam carta aberta a criticar "censura" a Sally Rooney no Reino Unido

Anne Carson, Julian Barnes, Paul Mescal e outras figuras da cultura criticaram o que consideram ser "uma afronta aos princípios básicos da liberdade de expressão" no Reino Unido.

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Os livros da escritora irlandesa Sally Rooney deverão deixar de ser vendidos no Reino Unido
Os livros da escritora irlandesa Sally Rooney deverão deixar de ser vendidos no Reino Unido Simone Padovani/Awakening/Getty Images

Um conjunto de personalidades públicas da área da cultura publicaram esta quarta-feira uma carta aberta na revista britânica - especializada em temas da política e da cultura - New Statesman, criticando o que encaram como "censura" à obra da escritora Sally Rooney, que vai deixar de ter os seus livros à venda no Reino Unido devido a receios de repercussões legais, por Rooney apoiar a organização Palestine Action, que o Governo britânico considera ser uma "organização terrorista".

Apoiante da Palestine Action - que considera ser uma organização ativista de defesa dos direitos humanos e dos direitos do povo palestiniano, não uma organização terrorista -, Sally Rooney, escritora irlandesa de 35 anos que é autora de obras como Conversas Entre Amigos, Pessoas Normais (ou Normal People, no título originou, que nomeou também uma série televisiva que adaptava o romance) e Intermezzo, entre outras, decidiu doar as receitas de venda dos seus livros à Palestine Action.

Por receio de repercussões legais, decorrentes da extrapolação de que estaria a financiar uma "organização terrorista" através das receitas de venda dos livros, a editora que distribui as obras de Rooney no Reino Unido, Faber, decidiu deixar de vender exemplares. 

Agora, surge uma reação coletiva, numa carta aberta assinada por escritores de renome como Anne Carson (recém-vencedora do Nobel da literatura), JM Coetzee, Zadie Smith, Annie Ernaux, Julian Barnes, Irvine Welsh, Arundhati Roy e George Saunders e por outras figuras da cultura e da filosofia, como os atores Paul Mescal, Tilda Swinton, Daisy-Edgar Jones e Jessie Buckley, o realizador Jonathan Glazer e o filósofo Slavoj Žižek.

O político Jeremy Corbyn, o escritor Geoff Dyer, o antigo futebolista e comentador e apresentador de televisão Gary Lineker, a escritora e académica Bernardine Evaristo, o cineasta Asif Kapadia, o grupo de hip-hop Kneecap e o músico Robert del Naja (do grupo Massive Attack) são alguns dos restantes nomes sonantes a subscrever o texto.

"Sally Rooney é uma escritora, não é uma terrorista", defendem os signatários, num texto em que reivindicam que os livros da autora "continuem a estar disponíveis ao público" e em que consideram que o fim da venda de obras de Sally Rooney no país, medida que afirmam ser consequência de "uma legislação antiterrorista mal concebida e draconiana", constitui "uma afronta aos princípios básicos da liberdade de expressão, há muito considerados como garantidos neste país".

Os signatários rejeitam ainda "categoricamente" a "censura - seja esta direta ou indireta" e exigem ao governo britânico que "mude o rumo dos acontecimentos, alterando a legislação que nos conduziu a este ponto de absurdo repressivo".

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