Tanto mar para navegar, pá

Exposição organizada pelo MUDE, junta design contemporâneo de Portugal e do Brasil. Para ver até 15 de Julho no Palácio dos Condes da Calheta, em Lisboa

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Ágata Xavier 10 de março de 2018

Do Brasil chegaram duas cartas. Não em papel e escritas à mão, como se esperaria de algo criado em 1975 e 1978, mas na forma de duas canções. O autor era Chico Buarque e, na versão de 1978, cantava assim sobre os primeiros anos de liberdade em Portugal: "Foi bonita a festa, pá/ Fiquei contente/ E ainda guardo, renitente/ Um velho cravo para mim (...) Sei que há léguas a nos separar/ Tanto mar, tanto mar/ Sei também quanto é preciso, pá/ Navegar, navegarem." É desta última quadra que sai o título da exposição que o MUDE - Museu do Design e da Moda inaugura fora de portas, no Palácio dos Condes da Calheta, Jardim-Museu Agrícola Tropical, em Lisboa, a 10 de Março: Tanto Mar - Fluxos Transatlânticos do Design. Como Buarque trocou palavras com Portugal - de um Brasil em ditadura para um país que se estava a desfazer da sua - também duas curadoras falaram entre si com um mar pelo meio: a portuguesa, e directora do MUDE, Bárbara Coutinho, e a brasileira Adélia Borges. Juntas construíram uma exposição que celebra a cultura e o design dos seus países de origem. "Sem a intenção de criar um discurso cronológico ou de esgotar um tema tão vasto e complexo, Tanto Mar é uma malha tecida de diálogos, afinidades e influências entre várias pessoas e trabalhos de diferentes épocas, constituindo-se como espaço para o reconhecimento da amplitude e da riqueza do português", diz o MUDE. E por ser o português, língua e cultura, a estar em destaque, também África pontua a exposição.

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