O sindicato considera "imperdoável" que a administração do espaço "aceite receber artistas que se revelam cúmplices de um regime de apartheid colonialista e genocida", neste caso a banda Yemen Blues.
O Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, do Audiovisual e dos Músicos (Cena-STE) criticou esta quarta-feira a Casa da Música por ter convidado "uma banda israelita conivente com o regime sionista", arriscando tornar a instituição "cúmplice" de crimes internacionais.
"O sindicato CENA-STE lamenta profundamente que a Casa da Música, no Porto, tenha ontem [terça-feira] iniciado um festival de jazz com o convite a uma banda israelita conivente com o regime sionista, que inclusivamente integra elementos que vêm de colonatos construídos sobre território roubado a comunidades palestinianas", pode ler-se no comunicado divulgado esta quarta-feira.
A banda em questão é Yemen Blues, que atuou no contexto do festival Estação Jazz e é liderada por Ravid Kahalani, que em 2024 já tinha visto ser cancelada uma atuação, em Haia (Países Baixos), após pressão de grupos pró-palestinianos.
Para o sindicato, "é imperdoável que a administração da Casa da Música aceite receber artistas que se revelam cúmplices de um regime de apartheid colonialista e genocida".
"Com este ato, arriscam tornar também a Casa da Música cúmplice de crimes já sancionados pelo Tribunal Penal Internacional, algo que os trabalhadores da instituição recusarão sempre. A Palestina será livre", remata o Cena-STE.
Contactado pela Lusa, o Conselho de Administração da Casa da Música não quis comentar o comunicado do Cena-STE.
O número de palestinianos mortos por ataques de Israel contra a Faixa de Gaza desde o acordo de cessar-fogo de outubro de 2025 ultrapassou os 1.500, afirmaram esta quarta-feira as autoridades controladas pelo grupo islamita Hamas.
Num comunicado publicado nas redes sociais, o Ministério da Saúde de Gaza destacou que, desde a entrada em vigor do cessar-fogo, foram registados 1.501 mortos e 5.323 feridos, incluindo dois mortos e 17 feridos nas últimas 24 horas.
As autoridades de Gaza adiantaram também terem sido recuperados 838 corpos nas zonas de onde as tropas israelitas se retiraram na sequência do acordo.
Atualmente, as forças israelitas encontram-se posicionadas na denominada "linha amarela", que inicialmente abrangia mais de 50% do território, mas que agora se estende por mais de 60% da Faixa de Gaza.
Por último, o Ministério indicou que, desde o início da ofensiva lançada por Israel na sequência dos ataques terroristas do Hamas em 07 de outubro de 2023 - que causaram cerca de 1.200 mortos e permitiram o sequestro de aproximadamente 250 pessoas, segundo o balanço oficial das autoridades israelitas -, foram contabilizados 74.392 mortos e 175.440 feridos.