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ACT está a inspecionar suspensão salarial de trabalhadores da Accenture

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Multinacional que faturou mais de 530 milhões de euros em Portugal em 2025 fez reestruturação interna e deixou cerca de cem trabalhadores num limbo.

A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) abriu um processo de inspeção à suspensão de contrato para cerca de cem trabalhadores da consultora Accenture, depois de um relatório médico ter concluído que os funcionários estavam “aptos condicionais” para realizar as suas funções, mas a empresa ter afirmado que não sabia onde coloicar os trabalhadores, avança o jornal . Esta investigação surge na sequência da .

Accenture inspecionada por suspensão salarial de trabalhadores em Portugal
Accenture inspecionada por suspensão salarial de trabalhadores em Portugal Matthias Balk

"Recebemos uma avaliação médica que dizia que estávamos aptos a trabalhar, mas de forma condicionada", contou um trabalhador da Accenture à SÁBADO sob a condição de anonimato. A Accenture decidiu suspender-lhes o ordenado ao abrigo do artigo 296º do Código Laboral, que estabelece as regras para a suspensão do contrato de trabalho por motivo respeitante ao trabalhador, nomeadamente doença, e recorre à última avaliação de medicina do trabalho. Essa avaliação afirmava que os trabalhadores estavam "aptos condicionais” a trabalhar, o que quer dizer que podiam continuar a trabalhar, mas com outras funções. Mas a Accenture tinha outros planos para estes trabalhadores, que viram o salário ser suspenso a 30 de setembro.

Em carta enviada aos trabalhadores pela empresa lê-se que "não foi identificada qualquer posição compatível com as condições médicas prescritas”. Ou seja, a multinacional de consultoria de gestão, tecnologia da informação e outsourcing, que faturou mais de 530 milhões de euros em Portugal em 2025, não conseguiu arranjar novos postos para os cerca de 100 trabalhadores - a Accenture não respondeu sobre quantos são ao certo - , muitos dos quais recebem salários próximos ao salário mínimo nacional (€920). Entre as pessoas cujo contrato está suspenso contam-se trabalhadores que exerceram funções de moderação e revisão de conteúdos, ou seja, pessoas que foram sujeitas a assistir a conteúdo gráfico e violento que pode ter afetado a sua própria saúde mental.