Preço do petróleo desce mais de 5% com perspetiva de acordo EUA-Irão
Investidores aliviados após duas noites sem ataques norte-americanos contra o Irão.
Os preços do petróleo registam uma descida de mais de 5% na abertura dos mercados asiáticos, com os investidores aliviados após duas noites sem ataques norte-americanos contra o Irão e a perspetiva de novas negociações entre as partes.
O preço do barril de Brent do Mar do Norte, referência internacional para o preço do petróleo, registava uma queda de 5,58%, para 91,38 dólares.
O seu equivalente norte-americano, o barril de WTI, recuava 5,46%, para 84,43 dólares.
Segundo o embaixador de Washington nas Nações Unidas (ONU), Mike Waltz, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está a deixar uma "margem" para negociações com Teerão.
Em declarações aos meios de comunicação social norte-americanos, o representante diplomático afirmou que as negociações continuam, sublinhando, no entanto, que o chefe de Estado norte-americano não tinha desistido da nova escalada com que ameaçou a República Islâmica.
Após duas semanas de bombardeamentos levados a cabo pelos Estados Unidos no Irão, não foram registados novos ataques desde sexta-feira à noite.
"Como a nossa estratégia se baseia essencialmente na retaliação, também suspendemos as nossas operações", reagiu o porta-voz do exército iraniano, Mohammad Akraminia.
O mercado manifesta assim esperança numa trégua que permita o regresso da navegação no estreito de Ormuz, atualmente praticamente bloqueado e sob controlo iraniano.
Esta passagem estratégica permite, normalmente, o transporte de um quinto do petróleo e do gás liquefeito consumidos diariamente em todo o mundo.
Um segundo motivo de preocupação surgiu no mercado com o bloqueio marítimo dos portos sauditas, decidido pelos rebeldes huthis do Iémen, apoiados pelo Irão.
Desde o início do conflito no Médio Oriente, o mar Vermelho tinha-se tornado uma via fundamental para a exportação de barris de hidrocarbonetos do Golfo.
O memorando de entendimento assinado a 17 de junho por Washington e Teerão tinha permitido uma queda acentuada dos preços, com o Brent a ser negociado, na altura, pouco acima dos 70 dólares.
O aumento da tensão em julho provocou uma nova subida acentuada dos preços.