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Durão Barroso sobre a China: "É o país que tem marcado mais pontos recentemente"

Lusa 28 de janeiro de 2026 às 07:31

Antigo primeiro-ministro e ex-presidente da Comissão Europeia considera que a China tem vindo a aproximar-se cada vez mais dos EUA como potência global.

O antigo primeiro-ministro e presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso disse que a China está a aproximar-se dos Estados Unidos (EUA) em termos de poder mundial, incluindo capacidade económica.
Miguel Baltazar
Washington continua a ser a "potência global mais importante", disse Durão Barroso, de 69 anos, em Hong Kong, apontando para a liderança norte-americana na tecnologia e nas finanças. Mas "a China aproxima-se cada vez mais, do meu ponto de vista", acrescentou o português, num discurso proferido no Fórum Financeiro Asiático, um evento anual que, segundo a organização, atraiu 3.600 pessoas a Hong Kong. "A China é o país que tem marcado mais pontos recentemente", afirmou o presidente da Assembleia Geral do Conselho da Diáspora Portuguesa, citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post. "É muito importante observar não só o crescimento da economia chinesa, mas também as vitórias diplomáticas que a China tem vindo a alcançar em consequência dos acontecimentos recentes", sublinhou Durão Barroso. O português descreveu a atual situação internacional como mais volátil, imprevisível e perigosa, com o aumento da "competição entre as grandes potências". Apesar de não mencionar os EUA, Durão Barroso defendeu que a postura diplomática da China tem chamado a atenção de analistas e líderes políticos.
Em 15 de janeiro, Durão Barroso tornou-se presidente do conselho de administração e do conselho executivo da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, substituindo Nuno Morais Sarmento, que pediu a demissão por motivos de saúde. Durante o fórum, que terminou na terça-feira, o presidente da Comissão Europeia também destacou o papel da Europa como peça essencial na ordem global, ao lado dos EUA e da China. Durão Barroso lembrou que o bloco europeu concluiu, na terça-feira, um acordo comercial com a Índia, após 18 anos de negociações, dez dias depois de firmar um pacto de comércio livre com o Mercosul, após quase três décadas de negociações. A Europa não deve ser subestimada e, diante das incertezas globais, alianças, cooperação e abertura comercial são fundamentais, referiu o antigo presidente não-executivo do banco Goldman Sachs. Durão Barroso defendeu que fortalecer parcerias e manter o compromisso com o multilateralismo é indispensável para a estabilidade internacional. Professor universitário, Durão Barroso foi presidente da Comissão Europeia durante 10 anos, entre 2004 e 2014, tendo desempenhado o cargo de primeiro-ministro de Portugal entre abril de 2002 e julho de 2004. Durão Barroso foi nomeado em 2004, então com 57 anos, para a presidência do executivo comunitário, tornando-se o 11.º presidente da Comissão, e o primeiro português a ocupar o cargo, para o qual foi reconduzido em 2009, para um novo mandato que terminou em 31 de outubro de 2014.
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