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Luta contra o tabagismo ou luta contra a nicotina?

Produtos inovadores surgem no mercado como alternativa, mas é preciso monitorizar o uso e os efeitos a longo prazo. Especialistas debateram em Atenas, no Scientific Summit on Tobacco Harm Reduction, as estratégias para um atingir um objetivo comum: um mundo isento de fumo.

28 Setembro 2022 17:10

Em espaço físico mas, sobretudo, virtual, Atenas acolheu a quinta edição da Scientific Summit on Tobacco Harm Reduction, na qual Ignatios Ikonomidis, presidente do Comité organizador e presidente da SCOHRE, apresentou os mais recentes dados de pesquisa sobre novos produtos e o seu papel no controlo do tabagismo.

No primeiro dia do evento, foram vários os painéis apresentados, com destaque para o "caso" da Nova Zelândia, considerada uma história de sucesso no controlo do tabagismo ao ter implementado, em 1990, o abrangente Smoke-Free Environments Act. Esta progressiva medida teve como consequência a diminuição do tabagismo de 27% em 1992 para 18,4% em 2011-12 e depois para 10,9 % em 2020-21, um dos mais baixos do mundo. No entanto, o Regulamento Vaping, aprovado em 2020, mais do que aconselhamento, veio impor um caráter de proibição e restrição. De acordo com Marewa Glover, diretora do Centre of Research Excellence: Indigenous Sovereignty & Smoking, essa proibição é punitiva e não compassiva, podendo levar à criminalização associada à atividade do mercado negro, piora da saúde mental, aumento da marginalização e a uma mudança para substâncias de maior risco.

Na sua palestra, a especialista mencionou que os países que querem reduzir os danos relacionados ao tabagismo terão de enfrentar vários desafios, nomeadamente uma campanha de desinformação sobre o risco relativo da nicotina.

Esses mesmos desafios que os governos enfrentam atualmente no controlo do tabagismo foram discutidos num painel com Vassilis Kontozamanis, ex-ministro da Saúde da República Grega, e os membros fundadores do SCOHRE David T. Sweanor J.D. (Canadá), Karl E. Lund (Noruega), Sharifa Ezat Wan Puteh (Malásia) e Michael G. Toumbis (Chipre).

Vassilis Kontozamanis referiu-se à nova legislação "antifumo", implementada na Grécia há alguns anos, sublinhando a vontade do governo de combater os efeitos do tabagismo. "Os governos devem adotar uma perspetiva pragmática de saúde pública", enfatizou. "Enquanto monitorizamos o uso de novos produtos de tabaco e estudamos os seus efeitos a longo prazo - e o objetivo final continua a ser um mundo sem fumo -, devemos cuidar de todos aqueles que são fumadores e não querem ou não podem abandonar o uso de nicotina".



O painel de discussão "Desafios e perspetivas da Redução dos Danos de Tabaco: da evidência científica à satisfação das necessidades das pessoas" foi o ponto alto da iniciativa



Na Noruega, 9% são fumadores regulares


Na Noruega, a iniciação ao tabagismo entre os jovens é inferior a 2% e os fumadores regulares são aproximadamente 9% da população; portanto, o principal desafio pode ser bem diferente do que outros países estão a enfrentar. 

O próximo plano estratégico no país incluirá medidas para minimizar todo o tipo de uso de nicotina, o que significa que a luta contra o tabagismo basicamente se torna numa luta contra a nicotina. 

Uma das razões pelas quais a Malásia enfrenta um problema tão grande de tabagismo, disse na sua intervenção Sharifa Ezat Wan Puteh, é que o país continua a ser o maior mercado mundial de cigarros ilícitos (57,7% do consumo de cigarros no país era ilícito, de acordo com um estudo recente). Uma proibição geracional do tabaco para menores de 18 anos foi proposta para entrar em vigor a partir de 2025. No entanto, sem implementar outras medidas de redução de danos, existe a preocupação de que essa proibição apenas aumente as vendas no mercado negro sem diminuir a prevalência do tabagismo.

"A Redução dos Danos do Tabaco pode ser usada como uma estratégia complementar, mas a nossa primeira prioridade no Chipre é a plena implementação da OMS - FCTC (Convenção-Quadro para o Controlo do Tabaco)", disse. Michael G. Toumbis. "Tendo em mente que existem milhares de novos produtos que precisam ser regulamentados, o primeiro e mais importante passo no uso da redução de danos é ter controlo e conhecimento do que se oferece como alternativa".



Redução de danos do tabaco


A Redução de Danos do Tabaco (THR - Tobacco Harm Reduction) foi discutida no contexto da formulação de políticas baseadas em evidências e sociedade num painel que envolveu Maria Spyraki, membro do Parlamento Europeu, e três cientistas, Zoi-Dorothea Pana (Chipre), Andrzej Fal (Polônia) e Giuseppe Biondi-Zoccai (Itália) e foi moderado pela jornalista Natassa Spagadorou.

Em relação às questões científicas, o painel parece concordar que o envolvimento bem-sucedido na formulação de políticas baseadas em evidências requer foco, pragmatismo, estratégia e compromisso a longo prazo, combinados com dados e persuasão para traduzir evidências científicas complexas em histórias simples. Todos os participantes do painel anuem que o objetivo final continua a ser um mundo isento de fumo. No entanto, admitem ser preciso considerar a revisão das estratégias para melhorar os resultados.

Neste painel foi mencionado que os fumadores que não conseguem parar de fumar não devem ser abandonados ao seu destino. Daí que os oradores concordem que as estratégias de redução de danos devem ser encorajadas em fumadores que fizeram muito esforço, mas não conseguiram parar. No entanto, foi igualmente salientada a necessidade de realizar estudos contínuos. A experiência da pandemia de Covid-19 parece ter mostrado que a colaboração entre os países é fundamental para uma rápida implementação de medidas, pelo que os participantes admitem a urgência em desenvolver protocolos de estudo comuns e desenvolver estudos comparativos por forma a registar, analisar e avaliar os efeitos de produtos inovadores.



O objetivo final continua a ser um mundo isento de fumo. No entanto, admitem ser preciso considerar a revisão das estratégias para melhorar os resultados.




Produtos alternativos não são prejudiciais


No segundo dia do evento, destaque para o discurso de Lion Shahab, professor no Instituto de Epidemiologia e Saúde do Reino Unido, sobre "Como incentivar e estabelecer a Redução de Danos enquanto protegemos os jovens da adoção do uso de nicotina?", que analisou o medo de que novos produtos alternativos aos cigarros possam tornar-se bastante populares entre jovens e não fumadores, aumentando a dependência à nicotina. Depois de apresentar dados sobre o uso de produtos vaping de nicotina por jovens, o especialista concluiu que há evidências claras de que os cigarros eletrónicos (mas também snus e outros produtos de danos reduzidos) são benéficos para os fumadores existentes. É claro que, para envolver os fumadores e os jovens corretamente, "precisamos de informações/legislação precisas, favorecendo os cigarros eletrónicos em detrimento dos cigarros, ao mesmo tempo em que reduzimos o apelo ao estilo de vida".

O painel de discussão "Desafios e perspetivas da Redução dos Danos de Tabaco: da evidência científica à satisfação das necessidades das pessoas" foi o ponto alto de toda esta cimeira. A discussão envolveu Lina Nikolopoulou (diretora do SCOHRE, Grécia) e Solomon T. Rataemane (especialista em THR, África do Sul), que compartilharam experiências, boas práticas e ideias e tentaram explorar como se podem criar mais oportunidades para educar os especialistas em políticas de saúde, reguladores e o público, e defendem novas pesquisas para gerar mais dados e políticas baseadas em evidências.



Mais informação, melhor decisão


A filosofia mais importante da European Medical Association-EMA é sintetizada na seguinte afirmação: "Médicos mais bem informados fazem pacientes mais bem tratados", disse Manuel Pais-Clemente (representante da EMA, Portugal). Consumidores, políticos e reguladores devem ser informados sobre os desenvolvimentos e inovações tecnológicas do tabagismo, para tomar as decisões mais corretas, medidas legais e recomendações de políticas.

Tom Gleeson (European Tobacco Harm Reduction Advocates – ETHRA, Irlanda) destacou que é extremamente importante avaliar os produtos THR em comparação com os cigarros combustíveis. Um grande desafio hoje, acrescentou, é gerar robustos e suficientes dados para informar com precisão consumidores, médicos, autoridades regulatórias e políticos sobre todos os produtos e seus riscos comparativos.