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Breve história do cocktail molotov, a bomba improvisada que marcou o século XX

Luana Augusto 25 de abril de 2026 às 08:00

A arma surgiu durante a Guerra Civil Espanhola e a partir daí tornou-se um símbolo de guerrilha. Foi essencial durante a Revolução Húngara (1956).

Um e professor das Belas-Artes foi acusado de ter lançado um cocktail molotov contra os manifestantes que participavam na Marcha pela Vida, em março, protestando contra o aborto. O acabou detido pela Polícia Judiciária e recebeu como medida de coação . A sua arma de eleição é quase tanto um manifesto político como uma bomba caseira, com uma história de mais de um século.

Dois soldados britânico-indianos lançam cocktails Molotov a 12 de dezembro de 1940 Foto AP

O uso do fogo como arma vem referido nos primeiros livros da Bíblia, mas foi em 1871 que surgiram os primeiros registos modernos de dispositivos incendiários improvisados - quando um grupo de mulheres francesas da classe trabalhadora foram acusadas de iniciar os incêndios que devastaram Paris durante a insurreição da Comuna. 

Foi durante o século XX, mais precisamente na Guerra Civil Espanhola (1936-39), que o cocktail molotov - uma garrafa de vidro com uma mistura inflamável simples e um pavio - ganhou notoriedade ao tornar-se um elemento básico nas rebeliões, por ser uma arma bastante poderosa, mas com elementos caseiros e baratos. Simples, barata e eficaz, foi usada pela primeira vez nesta guerra tanto por nacionalistas como por republicanos como uma arma antitanque.

O nome, porém, só surgiria pouco tempo depois pela boca dos finlandeses. Foi durante a Guerra de Inverno (1939-40) que o exército finlandês desenvolveu uma versão mais refinada da arma para enfrentar os tanques soviéticos. Em resposta ao então ministro dos Negócios Estrangeiros soviético, Vyacheslav Molotov, que descrevia os bombardeamentos levados a cabo pelas tropas russas como "entregas de alimentos", os finlandeses batizaram ironicamente estas garrafas incendiárias "cocktail Molotov".

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Estudante universitário lança um cocktail molotov contra a polícia durante uma manifestação no Vietname
Foto: Foto AP/Nick Ut
A 24 de março de 1967, jovens manifestantes incendiaram um autocarro no México com um cocktail molotov
Foto: Foto AP/Jesus Diaz

Em 1940, Tom Wintringham, um veterano das brigadas internacionais da Guerra Civil Espanhola, publicou até um guia na revista britânica Picture Post a explicar como se usava este tipo de arma. A partir daí, o conceito espalhou-se rapidamente. No mesmo ano, o exército britânico começou a com este tipo de armas e a trabalhar numa outra versão para uso da Guarda Nacional.

Após a Segunda Guerra Mundial, o cocktail molotov reapareceu em vários conflitos: foi o caso da Revolução Húngara (1956), onde os insurgentes húngaros conseguiram destruir centenas de tanques do Exército Vermelho recorrendo a táticas de guerrilha e cocktail molotovs para o conseguir.

Desde então esta arma tornou-se uma presença constante em protestos e conflitos armados um pouco por todo o mundo: foi usada pelos checoslovacos, por exemplo, contra as tropas invasoras, por estudantes em Paris, por palestinianos em confrontos com soldados israelitas, por manifestantes iranianos anti-xá e em tumultos raciais nos Estados Unidos durante a década de 60.

Cocktail molotov Fotoarchiv für Zeitgeschichte / Archiv/picture-alliance/dpa/AP Images

Em Portugal, o caso mais recente remonta ao mês de março, quando um militante do PS e professor das Belas-Artes foi acusado de ter lançado um artefacto destes durante a manifestação .  

Hoje, em muitos países, a posse, o fabrico e o uso deste tipo de dispositivos incendiários improvisado é considerado um crime grave. Apesar disso, o cocktail molotov permanece como símbolo de resistência popular.

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