Votar em quem?

Negócios 04 de janeiro de 2019

Este ano, há duas eleições - as europeias e as legislativas - e confesso que não sei em quem votar nem num caso, nem noutro.

Por Manuel Falcão - Jornal de Negócios

Back to basics
A melhor forma de prever o futuro é participar na sua criação.
Abraham Lincoln

Votar em quem?
Este ano, há duas eleições - as europeias e as legislativas - e confesso que não sei em quem votar nem num caso, nem noutro. Partilho, há muito, da preocupação do Presidente da República, que, na sua mensagem de Ano Novo, pediu "políticas e políticos mais credíveis". Marcelo percebeu bem que cresce a desconfiança em relação aos partidos. Mas não é só uma desconfiança em relação aos seus dirigentes e aparelhos, é em relação ao que eles representam e ao modo como funcionam. Num passo interessante da sua mensagem, o Presidente da República, falando da constituição das listas eleitorais, apelou a que os candidatos analisem com cuidado o percurso passado. Lembrei-me particularmente desta frase quando constatei que uma das novas forças políticas que irá já a votos nas Europeias escolheu para seu cabeça de lista Paulo Sande, um indefectível de Bruxelas e dos seus organismos (dirigiu o Gabinete do Parlamento Europeu em Lisboa durante oito anos e é professor da Construção Europeia na Universidade Católica). Nem esta Aliança aproveitou a oportunidade que a sua tenra idade lhe dá para se demarcar do caos da União, da Comissão Europeia e do seu Parlamento - que, no conjunto, são uma das maiores fontes de desconfianças e de descréditos entre muitos eleitores de vários países. Ao proceder assim, o novo partido entregou o território anti-Bruxelas a populistas que surjam à espreita do descontentamento com a política agrícola e de pescas, com a política monetária, com o processo de decisão. O muro de Berlim caiu há 30 anos, mas o muro de Bruxelas está cada vez maior. E, no momento em que se olha para o que se passará com o Brexit, na cena política portuguesa não há no centro direita quem diga que o rei vai nu, despidinho de todo. Não me apetece nada votar nesta Europa e não sei em quem hei-de votar. Por este andar, a abstenção só pode aumentar.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login