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Flixbus recorre de novo ao tribunal para garantir acesso a Sete Rios

Lusa 04 de setembro de 2026 às 15:00
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FlixBus tem acusado a Rede Expressos de adiar a sua entrada na infraestrutura.

A Flixbus avançou com uma ação executiva em tribunal e uma participação criminal contra os gestores da Rede Expressos para tentar garantir o acesso ao terminal rodoviário de Sete Rios, confirmou o operador de origem alemã à agência Lusa.

Flixbus reivindica acesso ao terminal de Sete Rios, em Lisboa, monopolizado pela Rede Expressos
Flixbus reivindica acesso ao terminal de Sete Rios, em Lisboa, monopolizado pela Rede Expressos Miguel Baltazar/Jornal de Negócios

No seguimento de uma deliberação do Tribunal Administrativo de Lisboa, determinando a "concessão imediata de acesso" da Flixbus ao terminal de Sete Rios, gerido pela Rede Expressos, as duas entidades têm mantido conversações no sentido de cumprir a decisão, mas a FlixBus tem acusado o operador do grupo Barraqueiro de adiar a sua entrada na infraestrutura.

"Apesar de a FlixBus ter apresentado, de boa-fé, um plano faseado para a entrada no terminal, a Rede Expressos tem vindo a prolongar esta situação de indefinição, adiando a resolução do problema e criando apenas uma aparência de cumprimento da sentença de 8 de março do Tribunal Administrativo de Lisboa", afirmou fonte oficial do operador.

Conforme o jornal Expresso noticiou na quinta-feira, a Flixbus recorreu de novo à justiça, desta vez através da apresentação de uma ação executiva para tentar obrigar a Rede Expressos a cumprir a sentença judicial de março.

Segundo a Flixbus, a Rede Expressos está a fazer depender o acesso do "levantamento da suspensão das autorizações" para novas linhas de serviços expresso no terminal de Sete Rios, determinada em maio de 2025 pelo IMT - Instituto da Mobilidade e dos Transportes e pela AMT -- Autoridade da Mobilidade e dos Transportes.

"Tanto a AMT como o IMT já rejeitaram esta imposição da Rede Expressos e reconheceram que não devem ser autorizadas novas licenças relativas a linhas, horários ou serviços que possam aumentar a ocupação do Terminal de Sete Rios, o que aliás estava também subjacente à decisão do próprio tribunal", explicou a mesma fonte.

Assim, a FlixBus afirma não ter a garantia de que a data de 24 de setembro, prevista para o início da operação, venha a ser cumprida. "E a prova disto é que não há ainda qualquer viagem da FlixBus à venda de e para este terminal".

A última data de acesso, que chegou a estar acordada para 20 de agosto, acabou por ser adiada, com a Flixbus a queixar-se de que estão ainda por garantir serviços essenciais à operação em Sete Rios como "a disponibilização de uma bilheteira e ponto de apoio ao cliente, bem como pessoal da FlixBus no local, informação de partidas e chegadas nos ecrãs e nos cais, espaço para armazenamento de bagagem perdida e condições para limpeza e estacionamento dos autocarros dos operadores parceiros".

Outro problema reside nas declarações de capacidade emitidas pela Rede Expressos para a FlixBus poder operar em Sete Rios, cuja validade de 60 dias se encontra prestes a caducar e que a Flixbus quer ver prorrogadas antes da sua entrada no terminal, de modo a não ficar "dependente de decisões unilaterais da entidade gestora".

Por último, a Flixbus acusa a Rede Expressos de fazer depender o acesso a Sete Rios "do levantamento da suspensão de novas autorizações e, dessa forma, permitir não só a renovação das autorizações caducadas, mas também a apresentação de novos pedidos que possam vir a esgotar, ainda que artificialmente, a capacidade disponível do terminal".

Além do terminal lisboeta, a Flixbus continua sem acesso, "ou com acesso condicionado", aos terminais de Coimbra, Évora, Faro, Albufeira, Fátima, Caldas da Rainha, Peniche, Santarém, Alcobaça, Beja e Torres Novas.

Contactada pela Lusa, a Rede Expressos atribuiu o atraso "às autorizações administrativas e operacionais necessárias para o início dos serviços que a FlixBus pretende transferir da Gare do Oriente para Sete Rios", e rejeitou "qualquer responsabilidade pelo facto de essas autorizações não terem sido obtidas atempadamente pela FlixBus".

A mesmo fonte afirmou que a empresa "não foi ainda notificada" sobre qualquer reclamação ou ação judicial da Flixbus, e adiantou que estão previstas novas "reuniões de trabalho cujas datas já foram propostas pela Rede Expressos".

O diferendo entre as duas empresas começou com uma queixa da Flixbus à Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) em 2023, quando a RNE recusou dar acesso à infraestrutura.

O regulador emitiu um parecer em 08 de maio de 2025 que foi favorável à multinacional alemã, ao verificar que o terminal de Sete Rios tinha capacidade disponível, o que deveria levar a Rede Expressos a facultar o acesso à Flixbus e a qualquer outro operador, dentro dos horários disponíveis.

Em junho de 2025, a RNE negou o acesso, o que levou a Flixbus, em julho, a solicitar ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes a suspensão temporária da concessão de autorizações de serviços expresso e, em outubro, a interpor a ação judicial entretanto decidida pelo Tribunal Administrativo de Lisboa em março de 2026.

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