Ébola: Novo ensaio vai testar vacinas específicas contra vírus Bundibugyo
Até ao momento, não existe uma vacina para o vírus Bundibugyo.
O grupo de peritos em imunização da Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou esta terça-feira um ensaio clínico específico para vacinas contra o vírus Bundibugyo, responsável pelo surto de Ébola que atinge a República Democrática do Congo.
Após a reunião semestral que decorreu na última semana, o Grupo Consultivo Estratégico de Peritos em Imunização (SAGE) da OMS adiantou que a plataforma Tumaini vai permitir realizar um ensaio clínico randomizado sobre as vacinas que estão a ser desenvolvidas contra o Bundibugyo, mas também com a vacina já existente para a estirpe Zaire do Ébola.
Os peritos independentes que integram o SAGE consideraram ainda que as conclusões dos estudos de imunogenicidade demonstram que a vacina contra a estripe Zaire do Ébola ainda não são suficientes para avaliar a proteção clínica que pode conferir contra o Bundibugyo.
Em conferência de imprensa, o presidente do SAGE salientou que atualmente duas vacinas estão já em fase mais avançada de ensaios clínicos e alertou para a necessidade de as autoridades reguladoras estarem preparadas para que não haja atrasos na sua utilização, assim que forem aprovadas.
Uma destas vacinas está a ser desenvolvida pela Universidade de Oxford, em colaboração com o Serum Institute da India, enquanto a outra é da farmacêutica Moderna, que utiliza a tecnologia de RNA mensageiro, a mesma utilizada em vacinas contra a covid-19.
"O SAGE está muito preocupado com o surto do vírus Bundibugyo e com o elevado número de mortes entre crianças", referiu Anthony Scott, salientando que a insegurança e a deslocação da população na República Democrática do Congo (RDCongo) continuam a dificultar o acesso aos cuidados, a interromper a vigilância e a atrasar a investigação necessária para responder ao surto.
O número de mortos devido ao vírus Ébola na RDCongo chegou aos 4.381 e foram registados mais de 9.000 casos, segundo dados divulgados esta terça-feira pelas autoridades congolesas.
De acordo com o último relatório publicado pelo Ministério da Saúde congolês, com dados recolhidos até 12 de outubro, há 9.066 infeções confirmadas, com uma taxa de letalidade de 48,3%.
Além disso, 2.389 doentes recuperaram da doença e outros 895 encontram-se hospitalizados ou em isolamento, enquanto a taxa de rastreio de contactos se situa nos 79,5%.
O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.