As
necessidades básicas relacionadas com a alimentação não mudaram, mas o ritmo do
dia a dia mudou. A inovação alimentar pode ser um aliado para responder às
novas necessidades, conciliando conveniência e qualidade nutricional. Foi este
um dos temas debatidos na Conferência Comer Melhor, promovida pela SÁBADO com o
apoio do Continente, no Dia Mundial da Alimentação, a 16 de outubro. No painel
“Inovação Alimentar em Prol da Saúde”, moderado pela jornalista Patrícia Matos,
especialistas de diferentes áreas discutiram como adaptar a alimentação aos
desafios atuais.
“A
base de uma alimentação saudável continua a ser a roda dos alimentos, mas a
partir daí temos de aceitar que não é igual à de há 50 anos. Não podemos ser
utópicos”, admitiu Liliana Ferreira, presidente da Associação Portuguesa de
Nutrição (APN).
Bons
exemplos em destaque
“A
inovação alimentar é uma mais-valia para criar opções de conveniência que
respondem às nossas necessidades”, continuou a presidente da APN, que destacou o
trabalho do Continente através da marca Continente Equilíbrio. Os produtos com
este selo são desenvolvidos por nutricionistas para cumprir um conjunto de
requisitos de saúde, sem sacrificar o sabor.
A
oferta da Cozinha Continente é outro exemplo da estratégia da retalhista para
influenciar positivamente as escolhas alimentares dos consumidores. Ana Alves,
diretora de Food Solutions da empresa, explicou que hoje já é possível, por
exemplo, “fazer uma sopa numa fábrica com um equilíbrio nutricional
provavelmente melhor e com uma conservação adequada, recorrendo apenas à
temperatura”.
A base de uma alimentação saudável continua a ser a roda dos alimentos, mas a partir daí temos de aceitar que não é igual à de há 50 anos. Não podemos ser utópicos.
Liliana ferreira, nutricionista e presidente da associação portuguesa de nutrição
Nem
tudo o que é embalado é mau, nem só no passado se comia bem
Olhar
para tudo o que é embalado como uma má opção ou acreditar que só antigamente é
que se comia bem são mitos que é preciso desmistificar. A inovação permite
melhorar produtos e as respetivas fórmulas nutricionais, sem comprometer o
sabor nem tornar a sua composição menos saudável.
Luís
Ferreira Pinto, business executive officer de nutrição da Nestlé,
acredita que esta evolução acabará por conduzir o mercado para uma “nutrição de
precisão, com ferramentas que nos ajudarão, de forma cada vez mais fácil, a
perceber individualmente o que precisamos”. Para já, destaca também a
importância de melhorar as fórmulas nutricionais de produtos que já fazem parte
da alimentação quotidiana, em vez de apostar apenas no desenvolvimento de
novidades.
A
inovação pode ainda ajudar a valorizar os produtos tradicionais, como o pão.
Elisabete Ferreira, CEO da empresa Pão de Gimonde, lembra que a qualidade
depende de fatores como o tempo de fermentação e a temperatura, que contribuem
para apurar aromas ou reduzir açúcares. Ainda assim, “o padeiro hoje tem acesso
a conhecimento científico que antes não tinha e pode usar a inovação para
recuperar tradições, melhorá-las” e criar cada vez mais produtos
individualizados.
Demonizar um ingrediente ou um alimento, acreditar que podemos continuar a comer como há 50 anos ou dar preferência a produtos que prometem resultados do dia para a noite não é o caminho.