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Conveniência ou saúde? A inovação está a juntar o melhor de dois mundos

Refeições prontas, novos produtos, receitas tradicionais reinventadas. A inovação está a mudar os produtos que encontramos nas prateleiras dos supermercados, muitas vezes para melhor.

Da esquerda para a direita: Patrícia Matos, jornalista; Ana Alves, diretora de Food Solutions do Continente; Elisabete Ferreira, CEO da Pão de Gimonde; Liliana Ferreira, presidente da Associação Portuguesa de Nutrição; Luís Ferreira Pinto, business executive officer de nutrição da Nestlé.
Cristina A. Ferreira
28 outubro 2026 14:21
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As necessidades básicas relacionadas com a alimentação não mudaram, mas o ritmo do dia a dia mudou. A inovação alimentar pode ser um aliado para responder às novas necessidades, conciliando conveniência e qualidade nutricional. Foi este um dos temas debatidos na Conferência Comer Melhor, promovida pela SÁBADO com o apoio do Continente, no Dia Mundial da Alimentação, a 16 de outubro. No painel “Inovação Alimentar em Prol da Saúde”, moderado pela jornalista Patrícia Matos, especialistas de diferentes áreas discutiram como adaptar a alimentação aos desafios atuais.

“A base de uma alimentação saudável continua a ser a roda dos alimentos, mas a partir daí temos de aceitar que não é igual à de há 50 anos. Não podemos ser utópicos”, admitiu Liliana Ferreira, presidente da Associação Portuguesa de Nutrição (APN).

Bons exemplos em destaque

“A inovação alimentar é uma mais-valia para criar opções de conveniência que respondem às nossas necessidades”, continuou a presidente da APN, que destacou o trabalho do Continente através da marca Continente Equilíbrio. Os produtos com este selo são desenvolvidos por nutricionistas para cumprir um conjunto de requisitos de saúde, sem sacrificar o sabor.

A oferta da Cozinha Continente é outro exemplo da estratégia da retalhista para influenciar positivamente as escolhas alimentares dos consumidores. Ana Alves, diretora de Food Solutions da empresa, explicou que hoje já é possível, por exemplo, “fazer uma sopa numa fábrica com um equilíbrio nutricional provavelmente melhor e com uma conservação adequada, recorrendo apenas à temperatura”.

Liliana Ferreira, presidente da Associação Portuguesa de Nutrição
Luís Ferreira Pinto, business executive officer de nutrição da Nestlé
Elisabete Ferreira, CEO da Pão de Gimonde
Ana Alves, diretora de Food Solutions do Continente
Patrícia Matos, jornalista
Painel “Inovação Alimentar em Prol da Saúde” na Conferência Comer Melhor
A base de uma alimentação saudável continua a ser a roda dos alimentos, mas a partir daí temos de aceitar que não é igual à de há 50 anos. Não podemos ser utópicos. Liliana ferreira, nutricionista e presidente da associação portuguesa de nutrição

Nem tudo o que é embalado é mau, nem só no passado se comia bem

Olhar para tudo o que é embalado como uma má opção ou acreditar que só antigamente é que se comia bem são mitos que é preciso desmistificar. A inovação permite melhorar produtos e as respetivas fórmulas nutricionais, sem comprometer o sabor nem tornar a sua composição menos saudável.

Luís Ferreira Pinto, business executive officer de nutrição da Nestlé, acredita que esta evolução acabará por conduzir o mercado para uma “nutrição de precisão, com ferramentas que nos ajudarão, de forma cada vez mais fácil, a perceber individualmente o que precisamos”. Para já, destaca também a importância de melhorar as fórmulas nutricionais de produtos que já fazem parte da alimentação quotidiana, em vez de apostar apenas no desenvolvimento de novidades.

A inovação pode ainda ajudar a valorizar os produtos tradicionais, como o pão. Elisabete Ferreira, CEO da empresa Pão de Gimonde, lembra que a qualidade depende de fatores como o tempo de fermentação e a temperatura, que contribuem para apurar aromas ou reduzir açúcares. Ainda assim, “o padeiro hoje tem acesso a conhecimento científico que antes não tinha e pode usar a inovação para recuperar tradições, melhorá-las” e criar cada vez mais produtos individualizados.

Demonizar um ingrediente ou um alimento, acreditar que podemos continuar a comer como há 50 anos ou dar preferência a produtos que prometem resultados do dia para a noite não é o caminho.
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