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Ronaldo explica polémica com Jesus. "Propôs que fizesse o primeiro jogo e ficasse em Portugal. Recusei a proposta"

Cristiano Ronaldo escreveu uma carta a explicar toda a polémica envolvendo Jorge Jesus.

Cristiano Ronaldo escreveu esta terça-feira uma carta onde explica a polémica envolvendo Jorge Jesus. Nesta, começou por dizer que ficou "genuinamente feliz" quando soube que Jorge Jesus seria o próximo selecionador da seleção nacional, e que dias depois recebeu um "primeiro contacto do novo selecionador nacional a dizer que gostava de estar comigo pessoalmente. Respondi que sim."

Cristiano Ronaldo
Cristiano Ronaldo Johan Nilsson/TT NEWS AGENCY

Ambos encontraram-se "dias depois". "O selecionador disse-me nesse dia que contava comigo e (...) apresentou-me logo ali um plano para a minha participação. Disse-me que jogaria o primeiro jogo e o último e que por razões de gestão física iria fazer sempre três a quatro mudanças por jogo", começou por explicar. "Nessa altura, colocou-me a hipótese de eu não viajar com a seleção para a Noruega e Dinamarca. Propôs-me que fizesse o primeiro jogo e ficasse em Portugal".

Ronaldo (acionista da Medialivre, empresa que detém a SÁBADO, Correio da Manhã, Record, entre outros) recusou "de imediato a proposta". "Parecia-me evidente que não poderia aceitar", escreveu.

Segundo Cristiano Ronaldo, "o selecionador acabou por concordar com a minha análise". E acrescenta: "Esta conversa foi acompanhada pelo Simão Coutinho, diretor desportivo do Al Nassr."

Jorge Jesus ter-se-á depois deslocado a casa de Ronaldo, em Lisboa, "para ter uma nova conversa comigo, a seu pedido". "Foi tranquila e todos os princípios combinados em agosto foram mantidos".

Diz que jogou "o jogo de Alvalade e, apesar de substituído, não fiz nenhum problema". "Coloquei a braçadeira ao Bruno Fernandes, longe de imaginar que pudesse estar a dar os últimos passos, como atleta e capitão da seleção nacional."

"À hora de almoço do dia do jogo na Noruega, um adjunto do selecionador" abordou o capitão da seleção e disse que o selecionador queria falar com ele. "Para minha absoluta surpresa, perguntou-me se estava bem para jogar 30 minutos. Estava a pensar que não jogaria naquele dia, (...) mas obviamente disse que sim."

Depois, "todos conhecem" a história. "Aqueci, vi os minutos a passar e não fui chamado. O selecionador tinha-me falhado com a sua palavra", criticou.

No fim do jogo com a Noruega, não foi cumprimentar os adeptos e admitiu que foi "uma falha que é apenas da minha responsabilidade e que não deveria ter acontecido". "Peço desculpa aos portugueses que ali nos apoiaram intensamente, peço desculpa aos adeptos e peço desculpa aos que, sem serem portugueses, ali se possam ter deslocado para me ver e a quem eu possa ter desiludido."

"Passado 38 horas", diz Ronaldo, "tivemos uma conversa, eu, o selecionador e o Simão Coutinho". "Foi um momento profundo, muito frontal, sem qualquer tipo de filtro", descreveu. 

Combinaram que o selecionador daria uma conferência de imprensa "contando a verdade". "Diria que nunca pedi para jogar minutos nenhuns e que foi um erro colocar-me a aquecer para não entrar e que se voltasse a acontecer não o faria."

Segundo o número 7, o selecionador chegou a pedir-lhe "um abraço" durante a reunião. Depois disso, "foi entregue um pequeno documento que eu mesmo validei  ao selecionador". Mas na conferência, a postura de Jorge Jesus "não teve nada a ver com a nossa reunião". "Ouvi expressões e uma agressividade que julgo não merecer, uma atitude de que quero, posso e mando e que nunca me manifestou em privado".

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