Depois de ter sido divulgado o ataque informático que permitiu acesso a dados pessoais dos bombeiros.
A Proteção Civil confirmou este sábado o ciberataque e acesso a dados do rencenseamento nacional dos bombeiros e diz que estão em curso procedimentos para reforçar a segurança da aplicação, entretanto suspensa.
Piratas informáticos acederam a dados do rencenseamento nacional dos bombeirosGetty Images
Numa nota hoje divulgada, depois de ter sido divulgado o ataque informático que permitiu acesso a dados pessoais dos bombeiros, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) diz que enviou uma comunicação interna às entidades detentoras dos corpos de bombeiros e aos corpos de bombeiros a informar a situação e a alertar para possíveis tentativas de fraude.
Nesta comunicação - acrescenta - "seguiram um conjunto de procedimentos a adotar".
Na informação enviada aos comandos regionais, a ANEPC apela aos bombeiros que mantenham "atenção redobrada" perante chamadas, mensagens ou "outras comunicações inesperadas" que solicitem acesso a ligaçoes ou páginas eletrónicas, a divulgação de dados pessoais ou o preenchmento de formulários.
Em caso de dúvida, diz que os bombeiros deverão confirmar a autenticidade da comunicação junto da estrutura de comando do respetivo corpo de bombeiros, "através dos canais habituais".
No nota à comunicação social entretanto divulgada, a ANEPC esclarece que as comunicações dirigidas aos bombeiros, designadamente para atualização de dados ou transmissão de informações, "privilegiam sempre os canais institucionais, através da estrutura de comando dos respetivos corpos de bombeiros".
Diz ainda que continuará a desenvolver as diligências necessárias ao reforço da segurança dos seus sistemas e à proteção dos dados pessoais, mantendo como prioridade a segurança da informação e a confiança dos bombeiros nos canais institucionais de comunicação.
Segundo a informação a que a Lusa teve acesso, este ataque à base de dados do Recenseamento Nacional de Bombeiros Portugueses (RNBP) permitiu aos piratas informáticos aceder a dados pessoais como o nome completo dos bombeiros inscritos, números de cartão de cidadão, identificação fiscal, segurança social e utente de saúde (e subsistemas de saúde), carta de condução, estado civil, data de nascimento, contactos, moradas, imagem e grupo sanguíneo.
Contactada pela Lusa, a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) confirmou a situação, admitindo que a informação sobre este ataque informático deveria ter seguido individualmente para cada um dos elementos registados no RNBP.
António Nunes, presidente da LPB, explicou que a aplicação do RNBP, que conta com cerca de 60 mil registos, não tem dados bancários.
No alerta que enviou aos comandantes regionais e responsáveis das regiões autónomas dos Açores e da Madeira, a ANEPC explica que, como consequência da violação de dados pessoais, os titulares dos dados podem ser alvo de ações de ‘phishing’ (mensagens que simulam comunicações legitimas para atrair a clicar e links e anexos maliciosos), ‘smishing’ (tentativas de fraude por SMS ou MMS) ou ‘vishing’ (fraudes por chamada telefónica).
Podem ainda ser alvo de ações de ‘quishing’, um esquema de fraude que usa códigos QR maliciosos para redirecionar as vítimas para sites falsos.
O RNBP é o sistema de informação e gestão do registo dos bombeiros portugueses, dos quadros de comando, ativo, de reserva e de honra.
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