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Ventura diz que Neves não tem condições para continuar e pede intervenção de Seguro

Lusa 29 de julho de 2026 às 21:03

André Ventura defendeu que o Governo "está a ser arrastado para uma situação inexplicável" e exigiu a Montenegro que tome "uma decisão".

O líder do Chega, André Ventura, considerou esta quarta-feira que o ministro da Administração Interna não tem "nenhumas condições" para continuar a integrar o Governo e pediu ao Presidente da República, António José Seguro, que intervenha.

André Ventura fala em conferência de imprensa sob o logo Chega Eduardo Costa

Esta posição foi transmitida pelo presidente do Chega, em declarações aos jornalistas na sede do partido, logo após a conferência de imprensa de Luís Neves sobre as polémicas em que tem estado envolvido, que Ventura classificou como uma "das mais sofríveis para a democracia".

"Acho que nessas condições não é preciso que eu diga mais nada ao primeiro-ministro, que não isto: se quer ainda salvar a decência das instituições, tem que tomar uma decisão", afirmou, pedindo a Luís Montenegro que não tenha "medo de nenhum poder".

André Ventura defendeu que o Governo "está a ser arrastado para uma situação inexplicável" e exigiu a Montenegro que tome "uma decisão".

O presidente do Chega considerou também que não há necessidade de se reunir com o primeiro-ministro, como fez o secretário-geral do PS.

"Acho que não preciso de nenhuma reunião para lhe dizer o óbvio, que este ministro não tem nenhumas condições para continuar e penso que, se continuar, vai continuar a destruir a imagem do Estado", alertou.

André Ventura defendeu igualmente que "está achegar o tempo em que o Presidente da República tem de ter" uma "palavra de determinação num cenário que é desprestígio absoluto da democracia".

"Apelo hoje a que o senhor Presidente da República diga alguma coisa sobre isto, ou com o próprio, ou ao país, porque acho que este clima não interessa a ninguém", salientou.

Ventura não ficou satisfeito com as explicações dadas por Luís Neves e defendeu que continua a justificar-se a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito sobre os seus mandatos enquanto diretor-nacional da Polícia Judiciária, acusando o ministro de ter cometido ilegalidades.

O líder do Chega acusou o ministro da Administração Interna, anteriormente diretor nacional da Polícia Judiciária, de «impunidade e soberba» e de falar «sobre coisas graves e sérias de forma absolutamente rudimentar, autoritária, respondendo ao que queria e não ao que era perguntado» e também de passar culpas.

Quanto ao atrelado com produtos químicos que esteve guardado em instalações da empresa que fez obras na PJ e também em casa do ministro, o presidente do Chega assinalou que se tratava de «um material que, segundo o próprio ministro, era muito caro destruir por duas razões, pela sua dimensão e quantidade».

E questionou a decisão, que Luís Neves disse ter sido sua, de transferir o atrelado para Barcelos, considerando que se tratou de «um enorme risco para a segurança pública» por ser «um material perigoso, que era muito caro destruir» mas que «ficou na rua, à frente de todos, com perigo real para as pessoas durante não se sabe quanto tempo».

Sobre a entrega das declarações de rendimentos, André Ventura defendeu que «os candidatos a Presidente da República têm que o fazer, os primeiros-ministros têm que o fazer, os líderes da oposição têm que os fazer, não há razão nenhuma para que outro titular não o tenha que fazer».

O presidente do Chega admitiu igualmente ter-se enganado na primeira avaliação que fez de Luís Neves quando este foi escolhido para integrar o Governo.

«Quando o Luís Neves foi nomeado, o Chega teve uma reação dizendo que parecia ser uma escolha acertada, que agora era importante que trabalhasse no bom caminho. Pedro Passos Coelho alertou nesse dia, ou no dia a seguir, que era um procedente errado e grave alguém passar de um órgão de investigação criminal, ainda por cima órgão que tem que investigar casos de políticos e de governantes, etc., e que tinha tido nas mãos o caso do primeiro-ministro para ministro da Administração Interna. Eu não vi isso nessa altura, se fosse hoje, sabendo o que sei hoje, também diria isso», indicou.

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