PJ e Autoridade Tributária fazem buscas aos bancos Carregosa e Banco Angolano de Investimento
Investigação suspeita de um esquema no Imposto Municipal sobre Transações Onerosas de Imóveis (IMT) que terá lesado o Estado em milhões de euros.
A Polícia Judiciária e a Autoridade Tributária desencadearam, nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira, uma operação de buscas que envolve empresas, casas particulares e dois bancos: o Carregosa, com sede no Porto, e o Banco Angolano de Investimento Europa (BAI), em Lisboa. O processo corre no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP)
De acordo com informações recolhidas, nesta investigação estão em causa suspeitas de fraude no Imposto Municipal sobre Transações Onerosas de Imóveis (IMT), que terão lesado o Estado em milhões de euros. Ambos os bancos terão criado empresas de foram a fazer circular a propriedade dos imóveis, obtendo com isso uma isenção.
As duas instituições bancárias já tinham sido referenciadas numa investigação da revista SÁBADO ao negócio da compra e posterior revenda da antiga sede da Federação Portuguesa de Futebol, na rua Alexandre Herculano, em Lisboa.
Numa primeira fase, em 2018, o Carregosa e o BAI surgiram como financiadores da operação, que foi formalmente concretizada pela “sociedade “Excellent Dimension”, dos empresários José Alves Inácio e Carlos Marques. Quatro anos depois, o imóvel acabaria nas mãos dos dois bancos, não através da execução da hipoteca, mas de uma sociedade criada, a Exemplary Sparrow, que pagou 11,708 milhões de euros à Excellent Dimension. Como gerentes da Exemplary Sparrow surgiram João Luz Cabrita e Bruno Minoya Perez, que quatro anos antes assinaram uma escritura na qualidade de representantes dos bancos credores.