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Luís Neves afirma-se vítima de "difamação" e reitera: "Apliquei a lei"

Marta Rodrigues 01 de setembro de 2026 às 13:13

Ministro da Administração Interna atirou as polémicas em torno do seu nome a um "populismo" que "precisa de instituições fragilizadas" para existir. Não se demite.

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou esta terça-feira que tanto o uso do Volkswagen Golf, como do material requisitado (televisões, sofás e equipamento de ginásio), apreendidos pela Polícia Judiciária (PJ), cumprem a lei. Em declarações aos jornalistas, na Madeira, disse que as investigações jornalísticas que envolvem o seu nome são "sustentatadas na inveja" de quem não gosta do seu trabalho e que "não há provas, apenas difamação". Afastou a demissão.

Luís Neves, ministro da Administração Interna, ex-diretor da PJ, na Madeira HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

"Há quem decrete que perdi autoridade, que estou diminuído ou que já não tenho condições para exercer funções. A sério que estão a pensar isso? Estão enganados (...) Nada me fará afastar do que me levou a aceitar este cargo", afirmou.

O ministro conduz um Volksagen Golf apreendido pela PJ num processo de tráfico de droga não terminado, que garantiu agora estar a cumprir a lei. "Esta legislação reporta a 2007. Enquanto diretor da PJ, devo ter declarado operacionalmente, feita a afetação ao serviço do Estado, mais de 800 viaturas e outros bens. Parece que agora alguém está do lado de quem cometeu crimes, por ventura para que fiquem com o património com que cometeu o crime e que fique branqueado do crime organizado", avançou.

"Não me recordo de decisões que tomei e tenham sido revogadas, e o Ministério Público pode alterar decisões", continuou. 

Também tinha sido noticiado, pela investigação TVI/CNN Portugal/Nascer do Sol, que Luís Neves teria requisitado material apreendido a um narcotraficante a cumprir pena de 20 anos, nomeadamente televisões, sofás e equipamento de ginásio. O ministro ironizou: "Crime, outra vez!" 

"Os bens adquiridos com o dinheiro do crime servem para melhorar as condições e a preparação física dos polícias que os investigam e os prendem. É isso que eu fiz, apliquei a lei." E sublinhou: "Defendo que os bens do crime, sempre que a lei o permite, como é o caso, devem ser colocados em primeiro lugar ao serviço de quem combate o crime e trabalha na esfera da justiça e da segurança interna."

MAI critica populismo de quem aproveita o "caos que dá jeito"

Criticou a criação de um "caos que dá jeito": "Lança-se uma acusação grave, sabendo que vai ser repetida durante dias, mesmo que nunca venha a ser demonsrada. Nunca será porque não existe."

"Nunca tomei uma decisão que pudesse prejudicar o Estado", frisou. "Continuo disponível para todo o escrutínio judicial, financeiro, político e jornalístico." E atira ao líder do Chega: "Não aceito que André Ventura transforme aquilo que assumi naquilo que nunca fiz."

"Quem vive apenas da espuma do caos, ignora a essência da governação. (...) É assim que o populismo cresce: lança-se uma suspeita de manhã, repete-se à tarde e à noite, há quem comente como se fosse um facto provado. O populismo precisa de repetir até à exaustão uma mentira até que as pessoas deixem de perguntar se é verdadeira", apontou. 

Continuou a critica ao populismo que "precisa de convencer os portugueses de que todos os políticos são corruptos e que as instituições integram um sistema oculto. Precisa que ninguém confie em ninguém. Não quer instituições fortes, mas sim suficientemente fragilizadas para que apenas a sua voz pareça credível (...) explora os medos e receios dos portugueses."

"Quando essa acusação perde força, lança-se uma outra", no âmbito de "investigações jornalísiticas sustentadas na inveja e falsidade daqueles que eu próprio afastei". Afirmou que como não o podem acusar de "desconhecimento" no trabalho que faz, optaram pelo que sabem fazer: "Lançar suspeitas e atacar a honra. Jamais me intimidarão."

Admitiu cometer "um ou outro erro". "Mas isso não coloca em causa a minha ação", afirmou. Sublinhou que procurou sempre cumprir a lei em prol da colocação dos bens ao dispor das polícias e da luta contra o crime. Lembrou a sua atuação nos incêndios, na segurança e na valorização de carreiras. "Este Governo tem um ministro com experiência, que conhece as instituições e um passado de combate ao crime."

Quanto à ameaça da moção de censura ao Governo, por parte do Chega, Luís Neves só falou numa segunda declaração aos jornalistas. Avançou que

Em atualização 

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