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Habitação: Manifestantes voltam a acampar no Porto, mas em Lisboa decidem não pernoitar

Lusa 28 de outubro de 2026 às 21:20

Estão cerca de 300 pessoas em cada cidade.

A assembleia popular que decorreu esta quarta-feira na Praça D. João I, no Porto, votou por voltar a acampar no local, onde desde 10 de outubro manifestantes têm reivindicado o direito à habitação e sido sujeitos a duas cargas policiais. Já no Rossio, em Lisboa, os manifestantes optaram por não pernoitar.

Assembleia popular no Porto, manifestação habitação, Praça D. João I, 28/10 ESTELA SILVA/LUSA

A norte, estão disponíveis pelo menos 30 tendas, além de sacos-cama. A decisão de pernoitar foi tomada numa assembleia popular que decorreu com a presença de cerca de 300 pessoas na Praça D. João I, ainda que nem todos estivessem envolvidos na votação.

Os presentes envolvidos na votação aprovaram por unanimidade a "permanência e resistência na praça", numa noite em que foi ainda aprovada a criação de um jornal, em formato digital e papel.

Os nomes sugeridos são "Estrilho", "Egoístico" e "Tendão", e nessa publicação querem ter obras artísticas e textos, com testemunhos e entrevistas a pessoas em situação de precariedade.

Durante a assembleia, foram ainda sugeridos o Teatro Municipal Rivoli e o Coliseu do Porto como local da reunião, ainda por agendar, com o presidente da câmara, Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL), e que a opção de pernoitar e recorrer às tendas no local passasse a acontecer apenas às sextas e sábados.

A mesa da assembleia comunicou ainda a intenção de se juntar à Acampada de Lisboa na elaboração de uma carta a fazer chegar às centrais sindicais, para apelar a uma greve geral ibérica.

Deixaram ainda um apelo a que as pessoas se associem à , em Boticas (Vila Real), em luta contra a exploração de lítio naquela região, abrindo a porta à organização de uma excursão ao local durante um dia ou vários dias.

Durante a madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.

Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.

Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 33 detidos por desobediência. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais que aconteceram na madrugada de domingo em Lisboa e no Porto. Também a provedora de Justiça pediu à PSP, com caráter de urgência, informações sobre a carga policial na madrugada de domingo sobre os manifestantes.

Os partidos de esquerda criticaram a intervenção policial e pediram esclarecimentos ao primeiro-ministro e a intervenção do Presidente da República.

O chefe de Estado apelou hoje ao diálogo sobre a habitação "e nunca à violência", afirmando que não gostou das imagens que viu, mas que aguarda o resultado dos inquéritos sobre a atuação policial sobre manifestantes.

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.

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