CDS defende ação do Governo e intervenção da PSP
"Da parte da polícia, ao contrário do que tem sido dito, não houve uma intervenção violenta", disse João Almeida.
O dirigente e deputado do CDS-PP João Almeida defendeu este domingo a ação do Governo em matéria de habitação e a intervenção da polícia nas manifestações desta madrugada, rejeitando que tenha sido violenta, e criticou o PS.
"É incompreensível que o secretário-geral do PS [José Luís Carneiro], por um lado, ignore a responsabilidade que o PS tem no problema da habitação e, por outro lado, tente fazer parecer que, relativamente à atuação da polícia, esta é diferente do que foi no tempo em que ele era ministro [da Administração Interna]", declarou João Almeida à agência Lusa.
João Almeida começou por afirmar que "o CDS lamenta os acontecimentos desta madrugada nas cidades do Porto e de Lisboa" e que "há princípios que num Estado de direito não se pode prescindir: a lei, a ordem, a autoridade do Estado e certamente também o direito à manifestação".
Em seguida, considerou que "a causa da habitação é uma causa claramente legítima" e que houve um "comportamento totalmente ordeiro" de milhares de manifestantes durante a tarde, "e por isso não houve nenhum incidente", mas de noite foi diferente, com "uma ocupação ilegítima do espaço público" perante a qual "a polícia tentou até ao fim uma solução de diálogo".
"O que vimos foi que, da parte da polícia, ao contrário do que tem sido dito, não houve uma intervenção violenta, houve uma intervenção de dispersão, em que os polícias usaram os seus bastões para tentar afastar as pessoas e que elas deixassem de ocupar ilegalmente o espaço público e, quando houve violência contra esses polícias, houve também a necessidade de responder", argumentou.
Para o antigo secretário de Estado da Administração Interna, "era desejável que nada disto acontecesse, mas os manifestantes tiveram vários apelos, quatro horas e todas as oportunidades para evitar que isto acontecesse".
Sobre a ação do executivo PSD/CDS-PP em matéria de habitação, João Almeida defendeu que "o Governo tem apresentado várias soluções para este problema, algumas delas já a dar resultados e outras que darão resultados no futuro".
"O Governo está empenhado nas suas propostas e nas suas soluções e obviamente aberto ao diálogo com as outras forças políticas. Mas vemos com muita preocupação, no CDS, a posição do PS. O PS tem a responsabilidade de ter liderado o Governo quando o preço da habitação em Portugal subiu mais de 100%", acrescentou.
Depois, João Almeida criticou em particular o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, referindo que "era ministro também da Administração Interna quando, numa manifestação sobre o direito à habitação, a polícia interveio também, cumprindo a lei, como agora o faz".
O deputado do CDS-PP acusou José Luís Carneiro de incoerência sobre a atuação policial e qualificou o PS como um partido que, "por um lado, não tem soluções, por outro lado, se apresenta refém do radicalismo e da desordem pública", manifestando dúvidas de que os portugueses o queiram a liderar "um governo alternativo a este".