Associação católica apresenta queixa contra Bruno Nogueira por sketch gravado em igreja
Em causa está sketch que tem por base a comunhão, habendo alusões aos abusos sexuais na igreja católica.
O primeiro episódio da segunda temporada de Ruído, série de Bruno Nogueira, que foi para o ar no passado dia 6 na RTP, já motivou duas queixas à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). Um dos sketches mais polémicos recebeu o nome 'Corpo de Cristo', uma paródia à comunhão filmado dentro de uma igreja, em que o humorista, vestido de padre satiriza e erotiza o momento da entrega da hóstia aos fieis, homens, mulheres e até a uma criança.
"Por hoje passas", diz Bruno Nogueira, numa alusão aos escândalos de pedofilia que abalaram a igreja católica nos últimos anos.
A 'Associação As Quinas' - organização católica, patriótica e conservadora em Portugal, considera o scketch uma "blasfémia" por associar a sagrada comunhão "a um ato lascivo e sexual". Evocam mesmo a violação do artigo 251 do Código Penal: "O tipo criminal em questão envolve as condutas de ofender outra pessoa ou dela escarnecer em razão da sua crença ou função religiosa e de profanar lugar ou objeto de culto ou de veneração religiosa, em ambos os casos por forma adequada a perturbar a paz pública. É punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias".
Na Grande Entrevista a Vítor Gonçalves, transmitida também na emissora pública, o criador da série afirmou: "É curioso sempre e não deixa de ser fascinante quando as pessoas se insurgem, principalmente as associações relacionadas com a Igreja que se insurgiram contra este sketch, não têm a mesma energia a insurgirem-se contra a realidade, isto é, os casos de abuso na Igreja e o que aconteceu às vítimas", disse.
José Maria Seabra Duque, Coordenador Geral da Caminhada pela Vida e membro da direção da Federação Portuguesa Pela Vida, também criticou o sketch: "Infelizmente, o humorista decidiu encerrar o primeiro episódio da série com uma rábula cujo único objectivo é gozar com a Sagrada Comunhão. Não há qualquer contexto, qualquer conversa, nada: é apenas ele, paramentado, com uma píxide na mão, numa igreja, a fingir que distribui a comunhão, variando entre os comportamentos lascivos de quem a recebe e os dele próprio, no papel de sacerdote“, escreveu, na passada terça-feira, nas redes sociais.
Nesse sentido, sugeriu aos seus leitores que escrevessem “ao Conselho Geral Independente da RTP e ao Ministro da Presidência, protestando contra este evidente ataque aos católicos, produzido com dinheiro público“.