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António José Seguro pede novo impulso nas políticas de educação para a leitura

Lusa 16 de setembro de 2026 às 15:34

Depois dos problemas apontados pelos resultados mais recentes do PISA.

O Presidente da República pediu esta quarta-feira um novo impulso nas políticas de educação para a leitura, defendendo que o país não se pode conformar perante os problemas apontados pelos resultados mais recentes do PISA.

Seguro promulga decreto que autoriza Governo a aprovar regime para heranças indivisas ESTELA SILVA/LUSA

"Quarenta anos depois da criação da Rede de Leitura Pública, é necessário um novo impulso nas políticas de educação para a leitura e para o enriquecimento cultural. Isso fará de nós uma nação que lê. É um trabalho que diz respeito à escola, em primeiro lugar, mas também à família e a cada um de nós, portugueses", declarou António José Seguro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

O chefe de Estado, que discursava na quarta edição do encontro Book 2.0, uma iniciativa da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), apelou, por outro lado, à valorização da língua portuguesa no espaço mediático e da política e também em encontros como este -- que tem nome em inglês -- e insistiu na importância das "palavras do meio".

Na sua intervenção, António José Seguro referiu-se aos "estudos PISA recentemente conhecidos" que apontam para uma "diminuição da taxa de literacia bem como, em muitos países desenvolvidos, o abandono da leitura como fonte de prazer ou como atividade cultural dominante", de que decorrem "o declínio das competências cognitivas e o declínio da literacia em ciência ou em matemática".

"Este tempo pode ser, como dizem algumas vozes, o tempo de um certo conformismo diante desses números pouco agradáveis" comentou, sobre o retrocesso nas competências apontado pelos estudos PISA, realizados pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos (OCDE).

"Portugal enfrenta agora a revelação desse declínio, que está sustentado em números, em estudos e em previsões. Nesta matéria não podemos conformar-nos, nem desistir dos combates pela leitura e, mais do que isso, pela qualidade da leitura, o que são coisas diferentes", defendeu, em seguida.

O chefe de Estado considerou que a leitura "é um antídoto contra a exclusão e a ignorância, o mais perigoso dos vírus em democracia" e que "uma nação que lê é mais poderosa e está mais bem preparada para os desafios do seu tempo".

"Acredito que uma nação que lê promove a inteligência humana e não fica passivamente à espera dos benefícios e facilidades da inteligência artificial. Acredito que uma nação a ler, e a ler bons livros, é mais resistente às ventanias do populismo, da desigualdade, da ignorância, da injustiça e do esquecimento. Esse é um desafio para os próximos anos", acrescentou.

Sobre o número de livros vendidos em Portugal no ano passado, 15 milhões, de acordo com um estudo da APEL, António José Seguro disse que "vão na trajetória certa", mas que "há margem para melhorar" na venda de livros e "também na qualidade da leitura".

Na parte final do seu discurso, Presidente da República defendeu "a necessidade de valorizar a língua portuguesa", que na sua opinião se deveria escrever com maiúsculas e constitui "um bem essencial" da vida em sociedade.

Segundo o chefe de Estado, "cada vez mais, nas televisões e na política, no discurso dos economistas e dos gestores, dos jovens e das figuras públicas, perpassa um sentimento de desamor pela língua portuguesa".

"O conhecimento das línguas francas e, como é o caso deste encontro, de receber os nossos visitantes estrangeiros, não nos dispensa de considerar a grandeza e a importância da nossa língua franca principal, a língua portuguesa", defendeu.

António José Seguro convidou todos a irem à Festa do Livro no Palácio de Belém, entre quinta-feira e domingo, e terminou a sua intervenção insistindo na importância das "palavras do meio", que "são lugar de encontro e de comunhão, de entendimento e de futuro".

À saída do CCB, o Presidente da República não quis prestar declarações aos jornalistas.

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