A deputada e presidente da IL referiu que "o problema não é apenas o número, é a natureza destes grupos".
A presidente da IL acusou esta sexta-feira o Governo de se perder em burocracia e criticou a criação de 89 grupos de trabalho, mas o primeiro-ministro defendeu que foram uma boa decisão, para articular departamentos do Estado.
Durante o debate quinzenal com o primeiro-ministro na Assembleia da República, Mariana Leitão disse que o Governo PSD/CDS-PP, com os 89 grupos de trabalho que criou, ultrapassou a anterior governação do PS chefiada por António Costa, e fez desta prática um "modo de funcionamento permanente".
A deputada e presidente da IL referiu exemplos de grupos de trabalho sobre saúde, juventude, património cultural, ciência e educação e argumentou que "o problema não é apenas o número, é a natureza destes grupos", considerando que muitos deles "estão a duplicar funções já desempenhadas por organismos públicos especializados".
Na resposta, o primeiro-ministro sustentou que "estes grupos de trabalho são eles próprios instrumentais do processo de transformação da Administração" e associou-os também à "transição de força dominante da governação", que obriga a "proceder a alterações".
"Em todos aqueles que mencionou, eu pude verificar neles exatamente esta ideia: a ideia de acelerar, a ideia de articular, a ideia de agilizar, e corresponde a uma orientação que eu próprio dei", acrescentou Luís Montenegro.
Segundo o chefe do Governo, "estes grupos de trabalho, ou uma grande parte deles, foram criados para que estas respostas possam ser consertadas, conformadas e mais rápidas", através da articulação entre departamentos do Estado, e não "para adiar decisões".
"Por isso, senhora deputada, talvez tenha sido mesmo uma boa decisão. Eu vou mesmo dizer: foram seguramente uma boa decisão", defendeu.
A presidente da IL perguntou ainda "quanto é que esses grupos de trabalho pouparam ao Estado", já no fim da sua interpelação ao primeiro-ministro, que não dispunha de tempo para lhe responder.
No início da sua intervenção, Mariana Leitão confrontou Luís Montenegro com o objetivo de obter crescimentos económicos na ordem dos 3% e 4% do Produto Interno Bruto (PIB).
Ressalvando que partilha "dessa ambição", a presidente da IL salientou que "não há nenhuma projeção sequer perto desses números".
"Na prática, essa ambição está longíssimo de ser concretizada e nós, no fundo, voltamos à estagnação", anteviu, apontando como entrave ao crescimento "as camadas de burocracia que afogam as pessoas e as empresas" e um "Governo que se perde na própria burocracia".
Luís Montenegro reiterou o objetivo de atingir "uma taxa de crescimento económico superior àquele que está hoje em perspetiva", após realizar "transformações, reformas e esperar o seu resultado".
"Esperemos que no próximo ano, quando apresentarmos a nova proposta de Orçamento de Estado, já possamos corrigir precisamente o nosso quadro macroeconómico por via, precisamente, da inserção daquilo que possam ser os resultados das medidas que temos, entretanto, tomado", acrescentou.