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IL critica 89 grupos de trabalho, primeiro-ministro defende que foram boa decisão

Lusa 05 de dezembro de 2025 às 12:30

A deputada e presidente da IL referiu que "o problema não é apenas o número, é a natureza destes grupos".

A presidente da IL acusou esta sexta-feira o Governo de se perder em burocracia e criticou a criação de 89 grupos de trabalho, mas o primeiro-ministro defendeu que foram uma boa decisão, para articular departamentos do Estado.
TIAGO PETINGA/LUSA
Durante o debate quinzenal com o primeiro-ministro na Assembleia da República, Mariana Leitão disse que o Governo PSD/CDS-PP, com os 89 grupos de trabalho que criou, ultrapassou a anterior governação do PS chefiada por António Costa, e fez desta prática um "modo de funcionamento permanente". A deputada e presidente da IL referiu exemplos de grupos de trabalho sobre saúde, juventude, património cultural, ciência e educação e argumentou que "o problema não é apenas o número, é a natureza destes grupos", considerando que muitos deles "estão a duplicar funções já desempenhadas por organismos públicos especializados". Na resposta, o primeiro-ministro sustentou que "estes grupos de trabalho são eles próprios instrumentais do processo de transformação da Administração" e associou-os também à "transição de força dominante da governação", que obriga a "proceder a alterações". "Em todos aqueles que mencionou, eu pude verificar neles exatamente esta ideia: a ideia de acelerar, a ideia de articular, a ideia de agilizar, e corresponde a uma orientação que eu próprio dei", acrescentou Luís Montenegro. Segundo o chefe do Governo, "estes grupos de trabalho, ou uma grande parte deles, foram criados para que estas respostas possam ser consertadas, conformadas e mais rápidas", através da articulação entre departamentos do Estado, e não "para adiar decisões".
"Por isso, senhora deputada, talvez tenha sido mesmo uma boa decisão. Eu vou mesmo dizer: foram seguramente uma boa decisão", defendeu. A presidente da IL perguntou ainda "quanto é que esses grupos de trabalho pouparam ao Estado", já no fim da sua interpelação ao primeiro-ministro, que não dispunha de tempo para lhe responder. No início da sua intervenção, Mariana Leitão confrontou Luís Montenegro com o objetivo de obter crescimentos económicos na ordem dos 3% e 4% do Produto Interno Bruto (PIB). Ressalvando que partilha "dessa ambição", a presidente da IL salientou que "não há nenhuma projeção sequer perto desses números". "Na prática, essa ambição está longíssimo de ser concretizada e nós, no fundo, voltamos à estagnação", anteviu, apontando como entrave ao crescimento "as camadas de burocracia que afogam as pessoas e as empresas" e um "Governo que se perde na própria burocracia". Luís Montenegro reiterou o objetivo de atingir "uma taxa de crescimento económico superior àquele que está hoje em perspetiva", após realizar "transformações, reformas e esperar o seu resultado". "Esperemos que no próximo ano, quando apresentarmos a nova proposta de Orçamento de Estado, já possamos corrigir precisamente o nosso quadro macroeconómico por via, precisamente, da inserção daquilo que possam ser os resultados das medidas que temos, entretanto, tomado", acrescentou.
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