A insustentável leveza das notificações
Pela primeira vez, discute-se de forma consequente a arquitectura destas plataformas: não apenas o conteúdo, mas os mecanismos que o tornam irresistível.
Pela primeira vez, discute-se de forma consequente a arquitectura destas plataformas: não apenas o conteúdo, mas os mecanismos que o tornam irresistível.
As escolhas já ultrapassam, em muito, separar ou reciclar o lixo, fazer compostagem em casa ou desligar as luzes. São medidas importantes mas, mais importante, é a literacia que nos falta para compreender os modos de funcionamento e agenciamento dos interesses subjacentes às empresas que dominam o que comemos ou bebemos.
Vamos falar das coisas de que ninguém quer saber mas que importam, muito?
O estudo, feito com 23 mil pessoas em 29 países, incluindo Reino Unido, EUA, Brasil, Austrália e Índia, mostra diferenças geracionais claras nos papéis de género e um retrocesso na independência feminina.
O mundo virado, literalmente, do avesso e as redes sociais repletas de memes e piadas ao que está a acontecer. Faz-me lembrar um meme que diz que ‘a terapia ajuda mas fazer piadas com todas as desgraças que acontecem também é muito eficiente’.
Tal como os macacos, também rejeitamos sem razão. Afastamo-nos do que sentimos como diferente numa reacção primária, movida pelo medo de não pertencer, de não ser reconhecido, de ser excluído sem explicação.
Nós ainda sabemos e talvez consigamos reverter um contexto que se infiltrou de tal forma nas nossas vidas, mudando-as completamente. Se ainda não ouviram falar, Off February é a primeira iniciativa para desligar durante um mês.
Continuamos humanos, gregários, sociais, empáticos e ainda capazes de pensamento crítico (o resultado das eleições presidenciais é disso um bom exemplo) mas, para onde quer que olhemos multiplicam-se os exemplos e os relatos de como a tecnologia está a transformar a forma como vivemos e consequentemente as pessoas que (ainda) somos.
Parece anedótico mas é estrutural, agravado pela cegueira colectiva perante o que está à vista de todos. Sempre existiram tempestades mas hoje são mais frequentes e intensas.
O algoritmo não consegue detectar todos os jovens menores de 16 anos e muitos continuam a usar estas redes; outros usam a partir das contas dos pais e, pasme-se, alguns mentiram na idade. Quem diria? A Dinamarca vai seguir e França anunciou que vai avançar no mesmo sentido.
A informação é poder. E esse poder deriva do conhecimento que temos sobre os factos