UE pretende reforçar segurança económica face a "tempos turbulentos" no comércio global
Tensões geopolíticas, dependências estratégicas e crescente imprevisibilidade nas relações comerciais preocupam a União.
Um alto funcionário da Comissão Europeia defendeu esta quarta-feira, em Lisboa, a necessidade de reforçar a segurança económica da União Europeia (UE) face a um contexto internacional "turbulento", marcado por tensões geopolíticas, dependências estratégicas e crescente imprevisibilidade nas relações comerciais.
Numa sessão realizada na representação da Comissão Europeia em Portugal, um alto funcionário europeu sublinhou que o atual cenário global, influenciado pela guerra na Ucrânia, pela rivalidade com a China e pela incerteza na relação com os Estados Unidos, está a obrigar a UE a adaptar a política comercial e industrial.
A previsibilidade, que é crucial para os negócios, está a diminuir significativamente, afirmou, acrescentando que o mundo atravessa uma fase de transição que poderá configurar uma "globalização 2.0", ainda indefinida.
Segundo o responsável, a estratégia europeia de segurança económica visa garantir que a UE mantém capacidade de atuação autónoma, reforçando a resiliência interna, a liderança tecnológica e a capacidade de resposta a pressões externas.
Entre os principais desafios identificados estão a dependência de matérias-primas críticas, processadas, por exemplo, na China, a disrupção nas cadeias de abastecimento e o uso de instrumentos económicos como forma de pressão geopolítica.
A Comissão Europeia tem vindo a desenvolver instrumentos para mitigar estes riscos, incluindo o reforço do mecanismo de controlo de investimento direto estrangeiro. No caso de Portugal, está prevista a introdução de um sistema de pré-avaliação obrigatória de investimentos por razões de segurança e ordem pública.
De acordo com o responsável, a maioria dos casos analisados no âmbito deste mecanismo são resolvidos rapidamente, sem necessidade de medidas adicionais, enquanto apenas uma pequena fração levanta preocupações.
A estratégia europeia assenta em três pilares: promoção, proteção e parceria. O primeiro inclui investimento em setores estratégicos, como semicondutores e energia limpa, o segundo abrange instrumentos como controlos de exportação e mecanismos anti-coerção e o terceiro foca-se na cooperação com parceiros internacionais.
O responsável destacou ainda que a UE pretende manter-se aberta ao comércio internacional, sublinhando que cerca de 80% das trocas comerciais continuam a decorrer ao abrigo das regras multilaterais, embora reconheça que estas são cada vez menos respeitadas por alguns grandes atores.
Para as empresas, acrescentou, o conceito de segurança económica traduz-se sobretudo em preocupações práticas, como interrupções logísticas, sanções ou restrições tecnológicas, exigindo respostas rápidas por parte das autoridades.
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