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Ucrânia celebra 35 anos de independência sob ameaça russa: as cautelas nos festejos

Marta Rodrigues 24 de agosto de 2026 às 07:00

O país declarou independência em 1991. No 35.º aniversário, os serviços de segurança alertam que a Rússia pode aproveitar a concentração de pessoas para realizar ataques.

A 24 de agosto de 1991, a Ucrânia declarava independência, marcando também a dissolução da União Soviética. A decisão do Soviete Supremo da Ucrânia viria a ser apoiada pela vontade popular, a 1 de dezembro do mesmo ano, através de um referendo com 93% de votos favoráveis. 35 anos depois, num contexto de mais de quatro anos de guerra com a Rússia, são esperadas celebrações da data em várias cidades ucranianas, esta segunda-feira. No entanto, paira sobre o país o receio da ameaça russa. Vários líderes internacionais, entre eles António Costa, presidente do Conselho Europeu, deverão viajar até à Ucrânia. 

Celebrações da independência da Ucrânia AP Photo/Andreea Alexandru

A procura da independência acontecia numa altura em que a União Soviética já se encontrava fragilizada e várias das suas repúblicas já procuravam a autonomia. Também a população se fez ouvir quando, a 21 de janeiro de 1990, organizou um protesto pacífico pela independência. A manifestação reuniu mais de 300 mil pessoas desde a capital, Kiev, até Lviv.  

A fraqueza da União Soviética abriu margem para que a Declaração da Soberania Estatal fosse aprovada pelo Conselho Supremo da República Socialista Soviética da Ucrânia, a 16 de julho de 1990, com 355 votos a favor e quatro contra. Ainda que, na prática, o documento tornasse a Ucrânia mais autónoma, não formalizava ainda a independência. 

Em 1991, o Soviete Supremo da Ucrânia (então órgão legislativo, antecessor ao parlamento ucraniano) aprovou a Declaração de Independência com 321 votos a favor, dois contra e seis abstenções. A decisão foi tomada dias depois de uma tentativa de golpe de Estado da União Soviética, a 19 de agosto, por parte de membros da linha dura do Partido Comunista.  

A 1 de dezembro do mesmo ano, um referendo que perguntava à população se apoiava a independência resultou num apoio de 93%. Até zonas historicamente ligadas à Rússia, onde a maior parte das comunidades falava russo, votaram taxativamente pela independência. Por exemplo, em Lugansk e Donetsk o voto favorável atingiu os 83% e na Crimeia chegou aos 54%. 

Serviços de segurança alertam para o risco de ataques durante as celebrações

Passados quatro anos desde o início da guerra com a Rússia, as celebrações da independência deverão incidir sobre a união do país, bem como homenagens aos militares e a quem perdeu a vida. Haverá exposições em museus dedicadas ao tema, peças de teatro, visitas guiadas e concertos. A lista é longa, de acordo com o Departamento de Cultura da Administração Estatal de Kiev.  

Deverão dirigir-se à Ucrânia líderes internacionais de países aliados. Segundo a Euronews, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, deverá marcar presença. Em comunicado, a Comissão Europeia "reafirma a sua inabalável solidariedade e empenho na soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia". "Continuamos ao lado da Ucrânia na prossecução de uma paz abrangente, justa e duradoura, e apoiamos a sua trajetória europeia". 

O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU, na sigla original) alerta, no entanto, para o perigo da ameaça russa. Numa mensagem no Telegram, lê-se: "O inimigo pode aproveitar-se de aglomerações para realizar bombardeamentos, provocações, ataques terroristas, atos de sabotagem, ataques cibernéticos e outros crimes." Por isso, "o SBU insta os cidadãos a manterem especial vigilância nos dias que antecedem o Dia da Independência da Ucrânia e durante a própria data". 

Nesse sentido, o SBU reforça as recomendações de segurança, particularmente quanto às tentativas dos serviços especiais russos de recrutar ucranianos para o planeamento de ataques terroristas e de sabotagem. "Não atenda solicitações de pessoas desconhecidas – mesmo daquelas que se identifiquem como agentes da lei – que lhe peçam para realizar tarefas questionáveis, como fotografar ou filmar locais específicos, entregar um pacote ou deixar um objeto num ponto determinado", lê-se na nota.  

De resto, o SBU adverte ainda a que a população não ignore sinais de alerta; não se aproxime de objetos ou indivíduos suspeitos, mas antes comunicá-los às autoridades; não divulgue imagens ou vídeos que revelem a localização de militares, infraestruturas críticas, postos de controlo, sistemas de defesa aérea, entre outros. 

Com Isabel Dantas

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