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Rússia convoca embaixador da Bélgica para protestar por acusações de ataques híbridos

Lusa 14 de outubro de 2026 às 07:19

Para Moscovo, as declarações "agressivas" de algumas autoridades belgas, que apresentam a Rússia como "um inimigo", contribuem para uma maior escalada da situação.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo convocou na terça-feira o embaixador da Bélgica em Moscovo, Michel Gerebtzoff, para protestar contra acusações alegadamente "infundadas" de Bruxelas sobre ataques híbridos de Moscovo.

26 September 2026, United States, New York City: Sergey Lavrov, Russia's foreign minister, speaks at a session of the UN Michael Kappeler / AP

"Informou-se o diplomata belga que o lado russo rejeita categoricamente as acusações infundadas e cada vez mais frequentes da cúpula político-militar do reino sobre crescentes ameaças híbridas, de sabotagem e militares diretas contra a Bélgica e a Europa, supostamente provenientes da Rússia", afirmou a Chancelaria russa em comunicado.

Segundo Moscovo, as declarações "agressivas" de algumas autoridades belgas, que apresentam a Rússia como "um inimigo", contribuem para uma maior escalada da situação e ameaçam levá-la a um estado de descontrolo.

"Insta-se o lado belga a avaliar as consequências de tais declarações e a reduzir a intensidade da retórica antirrussa, que está a alimentar ainda mais as tensões no continente europeu", conclui a nota oficial.

O ministro da Defesa belga, Theo Francken, afirmou no final de setembro que os serviços de segurança investigaram dezenas de incidentes suspeitos na Bélgica e têm fortes indícios de que a Rússia é responsável por vários deles.

"De facto, houve incidentes. Veja-se, por exemplo, os casos comprovados de drones sobre locais sensíveis", disse Francken no podcast Het Rapport van de Wetstraat, citado pela imprensa belga.

"Os nossos serviços de segurança e o Ministério Público estão a investigar estes incidentes. Em alguns casos, há indícios muito fortes de envolvimento russo. E já fomos atacados. Basta pensar nos inúmeros ciberataques contra as nossas instalações", adiantou.

Apontou ainda o apoio belga à Ucrânia - país onde a Rússia está atolada numa guerra de atrito após a invasão de 2022 --- como a principal razão por detrás dos ataques híbridos.

"O objetivo? Causar instabilidade através da sabotagem e da influência na opinião pública", frisou, alertando que o exército belga deve preparar-se para novos confrontos com a Rússia.

Com o Kremlin a ser acusado de vários incidentes semelhantes noutros países europeus, nomeadamente a Alemanha, a 28 de setembro os ministros da Defesa da União Europeia discutiram pela primeira vez um novo protocolo de emergência para responder às ameaças híbridas russas, incluindo sabotagem, violações do espaço aéreo e incêndios criminosos.

Theo Francken descreveu a Rússia como a maior ameaça à segurança belga e defendeu defesas aéreas mais fortes, com tecnologia ucraniana contra os drones russos a jato.

Disse ainda que a guerra híbrida não é algo que Moscovo tenha começado há dois anos, mas que pratica há 50.

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