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O pequeno jornal norueguês que tem metade dos jornalistas na lista de procurados da Rússia

Isabel Dantas 05 de novembro de 2026 às 09:23

O Barents Observer foi considerado uma "organização indesejável" por parte do Kremlin.

Há um pequeno jornal online norueguês que tem metade dos seus jornalistas na lista de procurados da Rússia. O Barents Observer é propriedade dos jornalistas, publica em inglês e russo sobre o norte da Rússia e a região euro-ártica a partir de um escritório na cidade de Kirkenes, na Noruega.

Putin Vyacheslav Prokofyev/Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP

A pressão do regime de Vladimir Putin sobre os media é sobejamente conhecida, ainda no mês de outubro o Novaya Gazeta foi forçado a encerrar. Era um dos mais proeminentes jornais independentes da Rússia, reconhecido mundialmente pela sua cobertura crítica sobre a corrupção, abuso de poder e violações de direitos humanos no país. Fundado em 1993 com o apoio financeiro dos fundos do Prémio Nobel da Paz de Mikhail Gorbachev, o jornal tornou-se um símbolo histórico da resistência jornalística sob o regime de Vladimir Putin. 

Mas em outubro deste ano a administração do jornal anunciou o fim definitivo em Moscovo. Devido à asfixiante pressão coordenada pelo Kremlin e pelas autoridades de vigilância da comunicação social, a direção confirmou que ia desligar os servidores na sede. O jornal já tinha visto as licenças de impressão e digitais serem revogadas na Rússia e a contínua classificação como "agente estrangeiro", além das restrições penais, tornaram a existência da publicação insustentável dentro do país.  

Kirkenes fica a uma curta distância de carro da fronteira entre a Noruega e a Rússia e, sendo a única passagem terrestre legal que ainda liga a Rússia ao espaço Schengen de livre circulação na União Europeia, a cidade norueguesa é uma localidade onde as crescentes tensões com Moscovo são bastante sentidas. E também se tornou um refúgio para os russos que tentam escapar do regime de Putin, entre eles jornalistas, que acabaram em alguns casos por ser contratados pelo Barents Observer.

Por isso o jornal já foi considerado uma "organização indesejável" pelo gabinete do procurador-geral da Rússia, algo que o editor Thomas Nilse não deixa de encarar com um certo orgulho: “Fomos listados pelo próprio jornal do governo russo como  'principais veículos de media globais'. Foi um dia muito bom para o Barents Observer, porque significa que alcançámos o círculo íntimo do Kremlin."

O jornalista Denis Zagore é um dos três refugiados no Barents Observer. Natural da cidade russa de Murmansk, está na mira das autoridades russas e foi alvo de uma ordem de prisão preventiva, mas conseguiu escapar para Kirkenes, onde trabalha agora no Barents Observer. "Não posso dizer que isto tenha sido uma surpresa, visto que as ações do Estado russo são bastante previsíveis e a abertura de processos criminais era apenas uma questão de tempo”, contou em declarações ao seu novo jornal. “Não pretendo mudar nada na minha vida por causa disto. Além disso, eles poderiam ter-me encontrado sem me declarar procurado."   

A inclusão de Zagore na lista russa de alvos a deter na Rússia aconteceu depois da sua colega Olesia Krivtsova ter sido condenada em julho deste ano a seis anos de prisão numa colónia penal, sob a acusação de "justificar o terrorismo" e "desacreditar" o exército russo.

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