Navio encalhado bloqueia único porto da ilha do Príncipe e causa escassez de bens
Rehoboth, proveniente de São Tomé, sofreu uma rotura na sua estrutura durante a entrada no Porto de Santo António.
O único porto da ilha do Príncipe está bloqueado há cerca de uma semana, após avaria de um navio, que ficou encalhado, condicionando novas operações de abastecimento no cais, incluindo bens alimentares que começam a escassear.
O Rehoboth, proveniente de São Tomé, sofreu uma rotura na sua estrutura durante a entrada no Porto de Santo António, no final da tarde de quinta-feira, e desde há relatos de filas nos postos de abastecimento de combustíveis e açambarcamento dos produtos devido à incerteza quanto à resolução do problema.
Questionado hoje pelos jornalistas sobre a situação, o primeiro-ministro, Américo Ramos, disse que uma equipa de mergulhadores e da guarda costeira está a caminho da ilha do Príncipe com mais materiais para auxiliar na operação de remoção do navio encalhado.
"Todo o trabalho está a ser feito neste sentido e eu espero que brevemente teremos boas respostas", disse o primeiro-ministro, sem destacar a possibilidade de recorrer ao apoio de países parceiros, caso seja necessário.
O comerciante e ex-deputado à Assembleia Nacional, António Barros, defendeu que a situação volta a levantar o debate antigo sobre a necessidade de reabilitação do Porto do Príncipe, construído desde o período colonial.
"Já se fez todo o tipo de reflexão que se deveria fazer [...] nós temos que parar, não vamos às eleições no dia 27 de setembro até que nos deem garantia de termos um porto em condições e um reservatório de combustível que são as coisas que nos fazem sofrer muito aqui no Príncipe", afirmou António Barros.
"Tudo vem de São Tomé, tem que se entrar em contacto com o Governo Central. [...] É muito mal para nós que estamos cá [...], se não apressarem com isso nós vamos ter uma crise no Príncipe em todos os setores: comida, mercadoria e tudo um pouco", relatou um popular aos jornalistas.
"É uma vergonha. Tomamos independência, mas não parece", reforçou outro popular, enfatizando o facto de não ser possível mais de um navio acostar no cais do Príncipe ao mesmo tempo.