Itália está em alerta máximo devido a manifestações
Uma semana depois de os tumultos e pilhagens no norte do país.
Itália está este sábado em alerta máximo, com o reforço da segurança nas principais cidades, uma semana depois de os tumultos e pilhagens no norte do país.
As autoridades reforçaram o policiamento, enquanto as lojas de Roma e Milão, sobretudo as que vendem artigos de luxo, protegeram as suas montras com placas de madeira e chapas metálicas, prevendo novos ataques, descreve a agência noticiosa espanhola EFE.
Alguns estabelecimentos, como o centro comercial La Rinascente, em Milão, vão fechar às 15:00, antes das manifestações, previstas para começarem às 15:30 locais (14:30 em Portugal).
As medidas de segurança incluem pontos de controlo policial, aumento da vigilância nas estações ferroviárias e nos centros das cidades e o destacamento de mais 500 militares em Milão.
O presidente da Câmara de Milão, Giuseppe Sala, afastou a "militarização da cidade" e pediu aos comerciantes que mantenham as lojas abertas.
Já Embaixada dos Estados Unido em Itália emitiu também um alerta de segurança devido ao risco de novas manifestações em Milão e noutras grandes cidades italianas.
A embaixada recomendou ainda que os cidadãos acompanhassem as notícias, abandonassem zonas próximas de protestos e evitassem ajuntamentos e multidões.
A pressão policial intensificou-se desde sexta-feira com uma operação coordenada pela polícia italiana, que permitiu identificar cerca de uma centena de pessoas, 51 das quais menores de idade, por estarem alegadamente ligados aos distúrbios e roubos ocorridos no fim de semana anterior.
Durante as operações, os polícias apreenderam facas, tacos de basebol, artigos alegadamente roubados de lojas e garrafões de gasolina.
Os incidentes ocorreram à margem de uma manifestação pacífica contra o aumento do custo de vida, quando grupos de jovens mascarados começaram a vandalizar o centro da cidade e a saquear vários estabelecimentos comerciais.
Hoje, as medidas de segurança foram alargadas a cerca de 20 cidades, com especial atenção para Milão, Como e Monza, no norte do país, devido à possibilidade de novas manifestações.
De acordo com a EFE, um dos principais desafios para as forças de segurança é a imprevisibilidade das manifestações, uma vez que o "Movimento 17 de outubro" anunciou na sexta-feira o cancelamento de pontos de encontro previamente divulgados para dificultar a ação policial, através de uma estratégia denominada "seja água".
A estratégia consiste em publicar três pontos de encontro provisórios nas redes sociais apenas 30 minutos antes do início das marchas e depois ir para outro local que não tinha sido divulgado.
Segundo a EFE, as autoridades mantêm a máxima vigilância nas redes sociais e nos canais de mensagens do grupo, uma vez que nenhuma das convocatórias do "Movimento 17 ottobre", que surgiu depois das manifestações no fim de semana, têm uma autorização oficial.
No dia 17 de outubro, Itália viveu um dia de protestos em várias cidades contra o custo de vida e os baixos salários, entre outras reivindicações, que resultaram em confrontos em Milão e no anúncio de uma greve geral para 20 de novembro.
Após os distúrbios, o Governo aprovou esta semana um decreto-lei, com efeitos imediatos, que endurece as sanções para atos violentos, com especial enfoque na delinquência juvenil.
A lei introduz um novo crime relacionado com a participação em grupo em atos violentos, punível com até cinco anos de prisão e multas até 20.000 euros, com agravantes no caso de os envolvidos usarem máscaras ou causarem ferimentos.