Grécia: Três anos depois, famílias de vítimas mortais de acidente ferroviário continuam sem respostas
Muitos gregos têm acusado o governo de Mitsotakis de tentativa de encobrimento num momento em que as respostas ainda são poucas, manifestações multiplicam-se.
A 28 de janeiro de 2023 um acidente ferroviário originou um incêndio que matou 57 pessoas, a maioria jovens estudantes que estavam a bordo de um comboio de passageiros que transportava cerca de 350 pessoas de Atenas para Tessalónica e que colidiu com um comboio de carga durante a madrugada. Passados três há várias questões ainda sem resposta e milhares de gregos espalhados pelo mundo vão manifestar-se a exigir responsaibilidades.
Muitos gregos têm acusado o governo de Kyriakos Mitsotakis de tentativa de encobrimento num momento em que as respostas ainda são poucas. Sabe-se que os dois comboios se encontravam a circular em alta velocidade na mesma linha durante mais de dez minutos sem que qualquer alarme fosse acionado, o que expôs o estado dos sistemas de segurança da rede rodoviária grega, apesar de o país ter recebido financiamento da União Europeia para a sua modernização.
Mitsotakis atribuiu o acidente a “erros humanos fatais”, mas também admitiu “falhas crónicas do Estado”. Neste momento cerca de 40 pessoas estão a ser julgadas pela tragédia, incluindo executivos da ferrovia e o chefe da estação que se encontrava a trabalhar naquela noite e podem enfrentar penas de prisão de até 20 anos. No entanto nenhum político foi responsabilizado nem chamado para o banco dos réus, algo que tem alimentado as críticas da população.
Estão a ser organizadas várias manifestações, não só na Grécia como na diáspora - incluindo em lisboa – para marcar este terceiro aniversário. No ano passado mais de 300 mil pessoas reuniram-se em Atenas para marcar este dia e exigir respostas numa das maiores manifestações desde a crise financeira.
Maria Karystianou, mãe de uma das vítimas mortais, referiu à Associeted France Press: “Durante três anos, estivemos nas ruas, não apenas para organizar protestos, mas também para apresentar inúmeros recursos judiciais em busca de justiça para os nossos entes queridos”. O acidente fez com que a pediatra de 53 anos fundasse um novo partido, ainda sem nome, para combater a “corrupção e o nepotismo”.
As famílias das vítimas têm criticado também a atuação das autoridades nos dias que se seguiram ao acidente uma vez que vários tratores passaram por cima do local do acidente logo após a tragédia e podem ter destruído várias provas.