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Eleições no Brasil: Cônsul-geral em Lisboa estima participação na capital em 50%

Lusa 25 de outubro de 2026 às 18:20

O cônsul referiu que, para esta segunda volta, foram tomadas medidas para melhor se informarem os eleitores do respetivo local de voto.

O cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Candeas, estimou este domingo em 50% a participação da comunidade brasileira em Lisboa na segunda volta das eleições presidenciais.

Eleitores durante a votação. Eleitor. Eleitora. Mão. Urna. Voto Miguel Baltazar

O diplomata falava aos jornalistas na Cidade Universitária, em frente ao edifício da Reitoria, para descrever como decorreu a participação do eleitorado brasileiro em Lisboa e estimou que a taxa de participação ficou em 50%.

"Como eu tinha dito a vocês [jornalistas] pela manhã, a nossa expectativa era de uma votação com um comparecimento de 50%. E às 15h00 já tínhamos superado o número de eleitores do primeiro turno [cerca de 30%]", começou por contextualizar Alessandro Candeas.

"Há mais ou menos meia hora atrás [16h30 em Lisboa] - ainda evidentemente os números não estão fechados -, mas já sabíamos que na Reitoria já tinha superado 50%, [Faculdade de] Letras mais ou menos 50 e em [Faculdade de] Direito, entre 40% e 50%", acrescentou.

Num balanço geral, o diplomata prevê que os números da taxa de participação cheguem aos 50%, o que, em números efetivos, segundo os dados apresentados pelo cônsul-geral, atingem os 38 a 40 mil eleitores.

O cônsul referiu que, para esta segunda volta, foram tomadas medidas para melhor se informarem os eleitores do respetivo local de voto e que não se alteraram os locais de voto face à primeira volta, para se facilitar a orientação do eleitorado.

"Eles já sabiam onde votar. Então, isso permitiu uma fila um pouco mais fluida", reconheceu. 

Sobre incidentes, o cônsul-geral lamentou que uma jovem de 17 anos tenha sido agredida após exercer o seu direito por um jovem do sexo masculino e garantiu que o consulado está a acompanhar a situação.

"Esse foi um acontecimento muito grave. Uma adolescente de 17 anos (...), que já tinha saído, já tinha votado, já estava a duas quadras daqui [dois quarteirões], foi agredida por um rapaz", começou por descrever. 

"Nós, enfim, imediatamente quando soubemos, eu me desloquei até a jovem agredida com a PSP [Polícia de Segurança Pública], falámos com familiares e testemunhas" acrescentou, referindo ainda que a prioridade foi cuidar da vítima, que estava vestida de vermelho, uma representação do eleitorado que vota em Lula da Silva.

Segundo a mesma fonte, vai ser feito um inquérito, por parte da PSP, para se descobrir quem é o agressor.

Questionado ainda sobre se houve mais incidentes, referiu que, dessa dimensão não, mas que, nas suas palavras, de um ponto de vista de menor agressão, mas de intensidade política, a partir das 11:30, os grupos que apoiavam cada candidato presidencial começaram a "cantar palavras de ordem".

"Nós percebemos que o clima poderia se tornar mais intenso e mais grave, e aí, mais uma vez, o consulado, com o apoio da PSP, conseguimos separar" os grupos de apoiantes de cada candidato.

"Nós compreendemos a paixão que a política desperta, sobretudo na data de hoje, e tudo fizemos para que só ficasse no nível realmente da paixão e da (...) retórica (...) e felizmente conseguimos", concluiu.  

Mais de 158 milhões de brasileiros são hoje chamados às urnas para a segunda volta da eleição presidencial disputada entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, num escrutínio altamente polarizado e em que os candidatos estão tecnicamente empatados nas sondagens.

Na primeira volta, realizada em 04 de outubro, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma vantagem de 2.224.965 votos, sendo que, desde a introdução do sistema de duas voltas nas presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.

O Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, procura a reeleição aos 80 anos e o seu quarto mandato, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tenta devolver o poder ao campo bolsonarista, quatro anos depois da derrota do pai contra o mesmo adversário que tenta agora derrotar.

Em Portugal estão recenseados mais de 134.000 brasileiros que deverão votar obrigatoriamente nas eleições presidenciais de hoje, nas mesas de voto disponíveis no país, que estarão abertas das 08h00 às 17h00.

Em Lisboa estão inscritos cerca de 79.000 eleitores, no Porto são mais de 47.000 e em Faro perto de 9.000.  

Devido ao elevado número de eleitores, a votação decorreu em três locais em Lisboa - Reitoria da Universidade de Lisboa, Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. No Porto, as mesas funcionaram no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP). Em Faro, votaram na sede do consulado.

A capital portuguesa é o maior ponto de votação de brasileiros no estrangeiro e Portugal é o segundo maior colégio eleitoral no estrangeiro, atrás dos Estados Unidos da América.  

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