A decisão tomada pelo grupo liderado por Christine Lagarde era esperada pelo mercado, apesar dos riscos associados à valorização do euro.
A taxa de juro de referência na Zona Euro vai manter-se nos 2%. O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira não fazer alterações aos juros, em linha com a expectativa dos mercados financeiros, que têm, contudo, alertado para os riscos da valorização do euro face ao dólar e aos seus impactos na inflação.
Christine Lagarde, BCEDR
A autoridade liderada por Christine Lagarde comunicou que decidiu "manter as três taxas de juro diretoras do BCE inalteradas", sendo que a taxa aplicável à facilidade permanente de depósito fica em 2%, a das operações principais de refinanciamento em 2,15% e de facilidade permanente de cedência de liquidez em 2,4%. Justificou que "a avaliação atualizada do Conselho do BCE corrobora que a inflação deverá estabilizar no objetivo de 2% a médio prazo".
A taxa de inflação anual na Zona Euro desceu ligeiramente em dezembro, para 2%, depois de se ter fixado em 2,1% em novembro, principalmente devido à energia. Após ter atingido a meta do BCE no final do ano passado, a estimativa rápida publicada esta quarta-feira pelo Eurostat aponta para que a inflação na Zona Euro tenha arrancado 2026 a desacelerar para 1,7%.
"A economia permanece resiliente numa conjuntura mundial difícil", continuou o BCE. "O baixo desemprego, a solidez dos balanços do setor privado, a execução gradual da despesa pública em defesa e infraestruturas e o apoio proporcionado pelas anteriores reduções das taxas de juro sustentam o crescimento. Ao mesmo tempo, as perspetivas ainda são incertas, devido, em particular, à atual incerteza em termos de política de comércio mundial e às tensões geopolíticas", alertou.
Analistas e investidores têm, no entanto, mostrado preocupações sobre a contínua incerteza global em torno das perspetivas para a inflação e, em particular, o impacto da forte valorização do euro. Na semana passada, a taxa de câmbio ultrapassou a marca de 1,20 euros por dólar pela primeira vez desde junho de 2021. No início de julho, o vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, afirmou em Sintra que uma apreciação do euro acima desta barreira poderia representar desafios para os decisores políticos.
Mais recentemente, em entrevista ao Financial Times, o presidente do banco central da Áustria, Martin Kocher, antecipou que o BCE poderá ter de intervir, caso novas subidas na taxa de câmbio sejam suficientemente significativas para reduzir as projeções de inflação. Também o governador do Banco de França, François Villeroy de Galhau, escreveu no LinkedIn que a autoridade está a acompanhar a evolução, que vai influenciar as próximas decisões de política monetária.
A expectativa do mercado é que a autoridade monetária acompanhe a evolução até à próxima reunião, em março, quando haverá também uma atualização das projeções económicas. Por seu turno, o comunicado do conselho reafirma que "seguirá uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião para decidir a orientação apropriada da política monetária" e acrescenta que "não se compromete previamente com uma trajetória de taxas específica".
Cerca de uma hora antes do BCE, também o Banco de Ingaterra (BoE) anunciou que iria manter as taxas de juro inalteradas. Em dezembro - quando reduziu as taxas de 4% para 3,75% -, o BoE tinha já sinalizado que novas reduções seriam graduais e dependeriam de uma decisão mais criteriosa do seu comité de nove membros. O grupo está, contudo, dividido dado que quatro elementos votaram a favor de um corte de 0,25 pontos percentuais já neste encontro.
(Notícia atualizada)