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"A Europa pode dizer: 'nós não financiamos os EUA' e isso tem uma consequência"

Negócios 21 de janeiro de 2026 às 13:05

O CEO da gestora de ativos Optimize alerta para o perigo de a Europa decidir desfazer-se de ativos americanos, em retaliação às novas tarifas e à crise da Gronelândia. Os EUA têm um défice elevado, lembra, e precisam de quem financie a sua dívida. Pedro Lino diz que uma coisa é certa: regressou a incerteza.

As novas tarifas prometidas por Donald Trump contra alguns países europeus - em retaliação à oposição manifestada contra o controlo norte-americano da Gronelândia - mergulharam os mercados financeiros no vermelho. Acima de tudo, explica o CEO da gestora de ativos Optimize, pelo regresso da incerteza. "É o reverter de todo um processo negocial que demorou muitos meses (...) Ora, o que nós temos neste momento é outra vez o regresso a essa incerteza. As empresas que estavam a exportar e estavam a contar com determinadas taxas alfandegárias e condições económicas, o que vêem agora é esta incerteza novamente: [tarifas de] 15% passam a 25%, depois podem passar a 50%", afirma, em entrevista ao programa do Negócios no canal NOW.
Comissão e Parlamento europeus apelam ao consenso para pôr fim à mudança da hora Karl-Josef Hildenbrand/picture-alliance/dpa/AP Images
Muito se tem falado da retaliação que a União Europeia pode exercer contra os EUA  - incluindo ativar o instrumento anti-coerção - mas um fenómeno significativo parece já ter começado a ocorrer: a venda de ativos norte-americanos. Na terça-feira,
E podem não ser os únicos. Os países europeus , quase o dobro do resto do mundo. Se se começarem a desfazer destes ativos, "é menos um bloco que está a financiar a sua dívida". "Nós não nos podemos esquecer que os Estados Unidos têm um défice enorme, continuam a necessitar de ir ao mercado de empréstimos e também não nos podemos esquecer que Donald Trump anunciou um aumento do orçamento militar de 1 trilião de dólares para 1,5 triliões. São mais 50% num país que já vive em défice. Ou seja, é necessário encontrar fontes de financiamento. Eles têm-nas internamente, mas também precisam de investidores estrangeiros. O que pode estar a acontecer é a Europa dizer 'Não, nós não financiamos os Estados Unidos' e isso tem uma consequência", alerta Pedro Lino. A desvalorização do dólar e a subida das taxas de juro a longo prazo são os grandes efeitos antecipados pelo CEO da Optimize. Apesar de Donald Trump pressionar a Reserva Federal a reduzir os juros a curto prazo, a verdade é que a longo prazo a tendência é de crescimento - as taxas a 10 anos são de 4,23% e a 30 anos quase a 5%. "No curto prazo é verdade que um banco central pode controlar os juros, mas a longo prazo não. E se os europeus também deixarem de comprar a dívida, esse problema a longo prazo pode agravar-se. Ou seja, as taxas de juros a longo prazo aumentam e isso não é bom para o mercado hipotecário, porque quando nós vamos a um banco, vamos fazer empréstimos a 30 anos", alerta. "Se as taxas de juros a 30 anos estiverem a 5% ou 6%, não é possível ter taxas favoráveis para o mercado imobiliário. Por isso, o que pode acontecer é novamente um congelamento do mercado imobiliário americano. Ou seja, isto tem muitas derivadas e eu acho que é por conta disso que os investidores agora - também por fruto da valorização que tiveram no ano passado -, estão a realizar mais valias, porque a incerteza aumenta e nós realmente não sabemos o que é que vai acontecer no próximo mês, mês e meio", avisa.
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