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“Dados pessoais são a munição da cibercriminalidade moderna”: como jovens podem proteger informação pessoal online

Gabriela Ângelo 28 de janeiro de 2026 às 12:43

Os cibercriminosos podem utilizar os dados pessoais dos utilizadores para desenvolver golpes direcionados, burlas, cyberbullying, grooming, extorsão sexual e a criação de deepfakes.

No Dia Europeu da Proteção de Dados, assinalado esta quarta-feira, dia 28 de janeiro, celebra-se o aumento da consciencialização e a promoção de boas práticas de privacidade e segurança de informação, para que os seus dados não sejam utilizados contra si e para que possa salvaguardar o máximo de informação pessoal possível. 
Os dados pessoais dos utilizadores podem ser utilizados como uma "arma" AP
À SÁBADO Javier Castro, diretor de cibersegurança da Stratesys, uma empresa multinacional de serviços digitais, explica a importância, os desafios e as tendências na proteção de informação pessoal dos jovens, uma das faixas etárias mais expostas aos perigos da internet através das redes sociais.  Javier explica que “cada fotografia partilhada, cada atualização de estado, cada ‘gosto’ e cada comentário contribuem para a construção de um perfil digital de cada pessoa”. E se cair nas mãos erradas “este perfil pode transformar-se numa arma para ataques de alta precisão”. Assim, os cibercriminosos podem utilizar estes dados para afetar certos utilizadores orquestrando golpes direcionados, burlas, cyberbullying, grooming (um caso de abuso e exploração sexual), extorsão e criação de deepfakes.

Como minimizar os crimes de natureza sexual?

Para minimizar estes crimes de natureza sexual Javier Castro aponta que “promover uma cultura de proteção de dados desde idades precoces é fundamental” e partilha exemplos concretos de práticas-chave, como adotar o princípio da minimização de dados, que consiste em “partilhar o mínimo de informação pessoal possível”.  Ainda, “usar as opções de privacidade [das plataformas] para controlar quem pode ver o conteúdo”, a utilização de palavras-passe “complexas, longas e únicas para cada plataforma”, bem como adotar uma “cultura de desconfiança” pode ajudar os utilizadores mais jovens a não serem alvos de crimes sexuais. “Menos dados públicos significa menos oportunidade para extorsão e menos material para a criação de deepfakes convincentes”, reforça o especialista. 

Que erros os jovens cometem online que pode comprometer a sua segurança?

Apesar dos mais jovens terem nascido e viverem numa era digital, com um telemóvel na mão e acesso às redes sociais desde pequenos, continuam a cometer erros básicos de segurança que podem comprometer a sua segurança online. Javier Castro aponta para uma reutilização de palavras-passe, “usar o próprio nome, o do animal de estimação ou a data de nascimento facilita ainda mais que terceiros descubram a senha”, um excesso de partilha de informação, a falta de escrutínio em links que podem resultar em casos de phishing e distribuição de malware, assim como deixar os perfis públicos. 

Quais são os perigos da IA na captura de dados?

Outro mecanismo online que pode captar dados dos utilizadores, apesar de parecer uma interação “inofensiva ou divertida”, como aponta o especialista, são as conversas com chatbots de Inteligência Artificial (IA). A sua informação pessoal pode ser utilizada para o “treino e a melhoria de modelos de IA” para “publicidade comportamental ultra-segmentada baseada nos gostos, interesses e preocupações partilhadas” ou até para “engenharia social, extorsão, e campanhas de desinformação direcionadas a jovens”.  Javier Castro recomenda a não partilha de informação pessoal identificável, como o nome completo, a morada, o número de telemóvel; assumir desde o princípio que a conversa com o chatbot “não é privada”, uma vez que pode ser “armazenada, transcrita e analisada”, e saber distinguir entre chatbots de apoio ao cliente e de “conversação aberta”. Este último é criado para “aprender com a interação, analisando profundamente o que é partilhado”, afirma. 

O que pode ser feito a nível nacional para conscencializar os jovens dos perigos da exposição online?

Apesar de já existirem mecanismos a nível da União Europeia (UE) para proteger os dados dos utilizadores, ao nível local podem-se adotar medidas para a consciencialização de jovens e crianças aos perigos que vêm com a exposição da sua informação pessoal online. O especialista nota a introdução de aulas de “cibersegurança e higiene digital” no currículo escolar “desde o ensino primário” e a criação de campanhas de consciencialização onde há a colaboração “com criadores de conteúdo credíveis para transmitir mensagens de forma audiência e eficaz”.  Ensinar os pais e educadores sobre estes perigos acaba também por ser uma mais valia, uma vez que “os adultos devem ter conhecimentos e ferramentas para orientar os jovens”, afirma Javier Castro, que nota ainda colaborações entre entidades privadas e o Estado. “Fomentar alianças entre governos, a indústria tecnológica, fornecedores de internet e organizações sociais” acaba por ser importante no desenvolvimento de “ferramentas, padrões e programas educativos para jovens e adultos”. 

De que forma se pode limitar o acesso de crianças às redes sociais?

Quanto às medidas para limitar o acesso de crianças às redes sociais, como a técnica da verificação de idade, Javier Castro considera-as “provavelmente insuficientes”. “A proteção real reside no conhecimento dos riscos”, afirma, considerando importante que a adoção de ferramentas de controlo parental “como apoio”, fomento do diálogo e confiança “sobre os riscos digitais”, o desenvolvimento do “pensamento crítico digital” e uma promoção de equilíbrio entre atividades online e offline.  “Incentivar atividade offline” como a prática de desporto, jogos tradicionais e leitura de livros físicos e "o uso consciente da tecnologia” pode reduzir “a sobreexposição a riscos digitais e promover uma saúde mental firme”, conclui o especialista. 
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