Relógio em contagem decrescente. Falta cerca de um mês para
o início das candidaturas ao ensino superior para o ano letivo 2026/2027. É
hora de olhar para os dados e começar a ponderar decisões. Nem todos os cursos
e instituições oferecem a mesma qualidade e rigor. O passo dado agora não
deixará de ter implicações futuras.
O Concurso Nacional de Acesso, principal porta de entrada no
ensino superior público para os alunos que vêm do secundário, disponibiliza
56.790 vagas, mais do que no ano passado. De salientar um aumento dos lugares
nos cursos que formam para professores, em Medicina e nos Cursos Técnicos
Superiores Profissionais (CTeSP).
Num mundo onde quase já não existe ligação direta entre
estudos e carreira profissional, o concurso insiste na docência. E está certo.
Professor é uma profissão deficitária. Para a tornar mais atraente e tentar
reduzir esse défice, desde 2024/2025, o Estado disponibiliza 2.500 bolsas
anuais aos novos estudantes matriculados nas licenciaturas e mestrado que visam
a docência. O concurso de 2026 disponibiliza 1.344 lugares para futuros
professores nos anos iniciais de escolaridade, mais 12% do que no ano passado.
Medicina, área que, apesar das mudanças que quase
diariamente são trazidas pela tecnologia, continua a gerar oportunidades e
prestígio, ganha 62 lugares. No total são 1.656, dos quais 40 se devem à
abertura de um novo curso na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)
e a um reforço de 22 na Universidade de Coimbra.
No cômputo geral, os cursos que visam formação em
competências digitais diminuem vagas em 2026/2027, ainda assim estão a concurso
um total de 9.290. Nas Universidades de Aveiro, Coimbra, Lisboa e UBI e nos
Politécnicos do Porto, de Leiria e de Lisboa, o número cresce. Por seu turno,
regista-se em todo o ensino superior um acréscimo de 19% das vagas para
titulares de Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP) de cariz mais
prático e vocacionados para o mercado de trabalho.
Onde estão as 56.790 vagas à espera dos candidatos? Nas
universidades e institutos politécnicos de todo o país, incluindo Madeira e
Açores. Segundo dados do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, 13
universidades aumentam o número de vagas para o próximo ano letivo, a
Universidade da Madeira mantém (714) e a Universidade do Algarve diminui,
contando com menos cinco lugares. No total, oferece 1.651 lugares. Os maiores
aumentos verificam-se nas Universidades de Coimbra e Universidade Nova de
Lisboa. Nos politécnicos, que inclui as Escolas Superiores Náutica Infante D.
Henrique e de Hotelaria e Turismo do Estoril, seis institutos diminuem o número
de lugares em relação ao ano passado, com destaque para o da Guarda e o de
Viana do Castelo.
O Regime Geral de Acesso (RGA) é a via mais larga para
chegar ao superior, mas existem outras, os chamados Regimes e Concursos
Especiais. Para esses são disponibilizadas 21.493 vagas. Somadas as duas
parcelas, há 78.284 lugares para estudar nas universidades e politécnicos
públicos em Portugal, no ano letivo de 2026/2027.
Calendário do concurso
A primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao ensino
superior público arranca dia 20 de julho e termina a 6 de agosto, sendo os
resultados divulgados a 23. Para quem se candidate ao contingente prioritário
para emigrantes, familiares que com eles residam e lusodescendentes, e
candidatos com pedido de substituição de provas de ingresso por exames
estrangeiros, o prazo decorre até 27 de julho. Os candidatos colocados na
primeira fase do concurso têm quatro dias para fazer a matrícula, entre 24 e 27
de agosto. Nesse primeiro dia arrancam as candidaturas à segunda fase, que
encerram a 2 de setembro, com os resultados a serem tornados públicos no dia
13. A terceira e última fase decorre entre 22 e 24 de setembro.