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Escolas que florescem em Portugal

Aumento de famílias estrangeiras, mudança de mentalidade dos portugueses e o dinheiro justificam o crescimento dos colégios internacionais.

Portugal é um destino cada vez mais atrativo para famílias estrangeiras

Existem cada vez mais escolas internacionais em Portugal. Uma tendência que se acentuou nos últimos anos e que assentará no facto de Portugal “ter vindo a tornar-se um destino cada vez mais atrativo para famílias estrangeiras, profissionais altamente qualificados e empresas multinacionais”, opina Joana Vieira, presidente da Direção da AEEP – Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo.

É-nos explicado que a demografia mudou e as ofertas educativas têm vindo a responder a essa mudança. Por outro lado, existe uma “procura crescente” das famílias portuguesas por modelos educativos mais globais e bilingues. “Penso que as escolas internacionais respondem a esta realidade através de projetos educativos diferenciadores, de metodologias inovadoras e da preparação dos alunos para percursos académicos e profissionais internacionais”, explica Joana Vieira.

Sobre o florescimento de escolas internacionais no País, Ana Paula Oliveira, CEO do Astoria International School AIS, justifica este cenário em três camadas. “A primeira é demográfica: quase metade dos bebés que nascem na Grande Lisboa têm mãe estrangeira, e o número de alunos em currículos internacionais subiu de cerca de 12 mil para 17 mil em apenas cinco anos. A responsável do AIS continua, apontando como segunda causa o facto de as próprias famílias portuguesas terem passado a olhar para as línguas e para as certificações internacionais como “um investimento no futuro dos filhos”. A terceira é o dinheiro: “Grupos educativos estrangeiros injetaram centenas de milhões em novos campus, sobretudo entre Lisboa e Cascais. O resultado está à vista. Onde havia 37 escolas com planos de estudo estrangeiros há agora 48.”

Já Miguel Ladeira Santos, CEO do Sharing Education Group, aponta o aumento de famílias internacionais a mudarem-se para Portugal que criou a necessidade de mais colégios internacionais. “As dificuldades da contratação de professores da escola pública e a qualidade do ensino ligada a programas desatualizados leva também ao aumento da procura de famílias portuguesas por colégios privados, criando oportunidade para os colégios internacionais”, acresenta.

O responsável do Sharing Education Group afirma que se tem observado "um número crescentes de famílias portuguesas a transitar de escolas públicas e também privadas para colégios internacionais por entenderem as mais valias de uma educação internacional para os seus filhos". Com a evolução e modelos de educação, e com a diversidade de métodos de ensino que existem atualmente "faz sentido haver mais escolas internacionais para ter a oferta destes diferentes métodos". "Hoje não interessa apenas o currículo internacional que a escola segue, mas também a maneira como esse currículo é ministrado”, alerta. 

Instituições internacionais estão a reinventar o ensino

A diversidade de alunos e vivências e as origens distintas fazem com que as escolas internacionais contribuam para a diversidade cultural e a inovação pedagógica. Uma realidade que não parece ser posta em causa. “Sem dúvida!  As escolas internacionais são, muitas vezes, espaços de encontro entre diferentes culturas, experiências e visões do mundo, promovendo ambientes educativos mais inclusivos, abertos e enriquecedores”, conta Joana Vieira, presidente da Direção da AEEP – Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo.

Ao mesmo tempo, têm sido laboratórios de inovação pedagógica, introduzindo metodologias centradas no aluno, aprendizagem colaborativa, ensino por projetos, competências socioemocionais e integração tecnológica. Por isso, na perspetiva da AEEP, esta diversidade de modelos educativos é “extremamente positiva para o ecossistema educativo português, contribuindo para a liberdade de aprender e ensinar, para a qualidade da educação e para a capacidade de resposta às diferentes necessidades das famílias”.

Questionada se as escolas internacionais contribuem para a diversidade cultural e a inovação pedagógica, Ana Paula Oliveira, CEO do Astoria International School, responde “sim a ambas”. “Juntam na mesma sala crianças de origens diferentes, e isso faz da convivência com a diferença uma rotina, não uma lição. Como conciliam currículos e referenciais que nem sempre encaixam, acabam por ser laboratórios de práticas novas: metodologias ativas, avaliação por competências, ensino integrado de línguas”, explica.

Quanto a Miguel Ladeira Santos, CEO do Sharing Education Group, refere que “as escolas internacionais são naturalmente as que mais contribuem para a diversidade cultural, visto que a maior parte das famílias internacionais opta por esta via de ensino”.

Em termos de inovação pedagógica, as escolas públicas e privadas portuguesas seguem o mesmo currículo, que permite alguma flexibilidade, "mas nunca tanto como os currículos internacionais", assegura o responsável do Sharing Education Group . "Os currículos internacionais estão desenhados para serem utilizados como um esqueleto com programas de conteúdos validados pelo Ministério da Educação, mas a pedagogia fica muito mais a cargo de cada instituição. Isto dá muito mais liberdade para os colégios que seguem currículos internacionais poderem experimentar diferentes programas e modelos pedagógicos para melhorar, diversificar ou aprofundar a sua oferta", explica. Segundo Miguel Ladeira Santos, cada instituição constrói os seus modelos pedagógicos à volta de um programa de currículo, o que permite muito mais experiência e inovação. "No nosso caso, utilizando diferentes currículos nas escolas do nosso grupo, conseguimos desenvolver vários programas pedagógicos bastante diferenciados, que podem, depois, ser utilizados em qualquer um dos currículos que oferecemos, quer seja o currículo Cambridge ou IB, porque o foco será na pedagogia e não no conteúdo, sendo este muito similar em todos os currículos", conclui. 

 

 

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