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Esta é a faculdade mais criativa do país

Entre estúdios, protótipos, gaming e inteligência artificial, há um lugar onde as ideias deixam de ser conceitos abstratos para ganharem forma. O novo campus do IADE é um espaço onde criatividade, tecnologia e experimentação convivem todos os dias e ajudam a desenhar as profissões do futuro.

Há escolas que ensinam a imaginar. E há outras nas quais a imaginação ganha matéria, som, imagem e movimento. Entrar neste campus é perceber que a criatividade contemporânea já não acontece apenas em cadernos de apontamentos ou em ecrãs de computador. Acontece em laboratórios, estúdios e oficinas onde cada projeto é um exercício de descoberta e em que o erro faz parte do processo criativo.

É neste contexto que surge o novo campus do , integrado no Oriente Green Campus, um espaço pensado para aproximar estudantes, docentes e indústria num mesmo ecossistema de criação. À medida que se percorrem corredores, salas e laboratórios, torna-se evidente que a aprendizagem aqui acontece de forma diferente: menos centrada na teoria isolada e mais ligada à experimentação, à prática e à construção de soluções para desafios concretos, em estreita ligação com o mercado e as necessidades reais.

Um campus que funciona como laboratório

A primeira impressão é a de movimento permanente. Há projetos em desenvolvimento, protótipos em teste, câmaras montadas para gravações, equipamentos preparados para novas experiências. Tudo parece estar em construção, mas de forma intencional.

Os laboratórios ocupam cerca de 2.000 metros quadrados e representam uma das expressões mais visíveis da filosofia académica do IADE. Mais do que espaços de apoio ao ensino, funcionam como ambientes de criação onde os estudantes podem transformar ideias em projetos tangíveis.

Ao contrário do modelo tradicional, em que a prática surge apenas como complemento da aprendizagem, aqui ela faz parte do processo desde o primeiro momento. A lógica é simples: aprender fazendo. Experimentar, testar, corrigir e voltar a tentar. Um método que procura aproximar os estudantes das dinâmicas que encontrarão mais tarde no mercado de trabalho.

Onde a tecnologia encontra a criatividade

No TechLab, o cruzamento entre criatividade e inovação tecnológica é imediato. O ambiente faz lembrar uma mistura entre estúdio criativo, laboratório de investigação e start-up em crescimento. É aqui que se encontram o Game Studio e o Laboratório de Engenharia, espaços dedicados ao desenvolvimento de soluções interativas, experiências digitais e protótipos que procuram responder a desafios concretos.

As ideias circulam entre equipas multidisciplinares e evoluem continuamente. Em vez de trabalharem de forma isolada, os estudantes são incentivados a cruzar competências, partilhar conhecimentos e explorar novas possibilidades tecnológicas.

A sensação é a de estar a assistir aos bastidores de projetos que ainda estão a nascer. Muitos deles não existem fora destas paredes. Outros poderão vir a transformar-se em produtos, experiências ou soluções com aplicação real.

Da imagem ao som, da impressão ao objeto

A poucos metros de distância, o ambiente muda, mas a energia criativa mantém-se.

No Media Lab, fotografia e audiovisual assumem o protagonismo. Aqui trabalha-se a narrativa através da imagem, do som e da construção visual. Os equipamentos e os espaços especializados permitem recriar contextos próximos da realidade profissional, aproximando os estudantes das exigências que encontrarão mais tarde no setor.

Mais adiante surge o PrintLab, onde a criatividade ganha textura. Materiais, processos gráficos, tipografias e técnicas de produção convivem num espaço que valoriza a experimentação física e o contacto direto com os suportes de comunicação.

Já no 3DLab, a fronteira entre o digital e o mundo real torna-se mais ténue. Através da modelação e da prototipagem, conceitos que começaram como esboços ou ficheiros digitais transformam-se em objetos concretos. É um espaço onde se percebe como a inovação passa muitas vezes pela capacidade de materializar uma ideia antes mesmo de ela existir plenamente.

Aprender em contexto real

Entre os espaços mais distintivos encontra-se a sala de simulação, concebida para recriar ambientes profissionais e permitir aos estudantes experimentar situações próximas das que irão encontrar nas suas carreiras.

Aqui, apresentações, dinâmicas colaborativas e contextos de produção são reproduzidos com um grau de realismo que ajuda a reduzir a distância entre a academia e o mercado. É um espaço onde a aprendizagem deixa de ser apenas observação e passa a ser vivência.

Esta ligação à realidade profissional não se limita, contudo, a um único laboratório. Faz parte da cultura do campus. Projetos reais, desafios lançados por empresas e colaborações externas integram o percurso académico, permitindo que os estudantes trabalhem sobre problemas concretos e não apenas sobre exercícios hipotéticos.

Um espaço pensado para colaborar

O campus estende-se muito para além dos laboratórios. São mais de 80 salas de aula interativas distribuídas por 5.300 metros quadrados, preparadas para responder às necessidades do ensino contemporâneo e equipadas com tecnologia de última geração.

Existem ainda três auditórios, uma biblioteca multifuncional com 900 metros quadrados e diversas áreas destinadas ao estudo individual e coletivo. Somam-se cerca de 1.300 metros quadrados de espaços de trabalho colaborativo, concebidos para estimular encontros entre diferentes áreas de conhecimento.

Esta dimensão colaborativa é particularmente relevante num contexto em que as fronteiras entre disciplinas se tornam cada vez mais difusas. Designers trabalham com especialistas em comunicação, criadores de conteúdos cruzam-se com profissionais ligados à tecnologia e estudantes de diferentes áreas encontram oportunidades para desenvolver projetos em conjunto.

Também os espaços exteriores, que ocupam cerca de 2.300 metros quadrados, foram desenhados para prolongar esta dinâmica. Afinal, muitas ideias começam precisamente fora da sala de aula.

Mais do que uma escola

Ao longo de uma visita ao campus, emerge uma ideia recorrente: o procura posicionar-se não apenas como uma instituição de ensino, mas como um ecossistema criativo em permanente transformação.

Essa visão tem sido impulsionada por uma estratégia que privilegia a multidisciplinaridade, a experimentação e a ligação constante à indústria. Um modelo que procura responder às mudanças aceleradas dos setores criativos e tecnológicos, preparando os estudantes para contextos profissionais que continuam a evoluir.

Esta visão materializa-se numa oferta formativa que cruza Design e Artes Visuais, Comunicação e Marketing, e Tecnologias Criativas e Engenharia. Áreas que, no campus, não vivem isoladas, mas em permanente diálogo, refletindo a forma como hoje se desenvolvem projetos, produtos e experiências nas indústrias criativas.

No final, permanece a sensação de que este campus funciona como algo mais próximo de um laboratório vivo do que de uma escola convencional. Um lugar onde as ideias circulam livremente, são testadas, ganham forma e regressam novamente ao processo de criação.

Num tempo em que as profissões se transformam a um ritmo sem precedentes, talvez seja precisamente aqui que reside a maior diferença. “Não se trata apenas de preparar estudantes para o futuro. Trata-se de participar ativamente na sua construção, todos os dias”, adianta Carlos Rosa, diretor do IADE.

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