Três jurados revelam detalhes dos bastidores do caso Lindsay Clancy: apenas um voto impediu a absolvição
Julgamento da enfermeira acusada de matar os três filhos esteve a um passo de terminar com um veredito de inocência por motivo de insanidade mental, mas um jurado, do sexo masculino, opôs-se. Lágrimas e discussões acesas marcaram as deliberações.
Três dos 12 jurados do julgamento de Lindsay Clancy, que terminou sem veredito na semana passada, incluindo a presidente do júri, vieram agora a público comentar pela primeira vez as deliberações secretas que culminaram no anulamento do julgamento. Em declarações à NBC revelaram que o coletivo estava preparado para considerar a ex-enfermeira obstétrica acusada de matar os três filhos inocente, por motivos de insanidade mental, mas que um dos jurados do sexo masculino se opôs.
Segundo a presidente do júri, esse jurado "admitiu que tinha dúvidas razoáveis" sobre a responsabilidade criminal de Lindsay Clancy. "Comecei a preencher os formulários. Estava muito animada", contou Roni Carlson. "Foi então que o jurado acrescentou: 'Mas ainda assim não vou dizer que ela não é culpada por motivo de insanidade'."
Roni Carlson, que é também professora aposentada, descreveu o julgamento como "terrível" e "desgastante", uma verdadeira "montanha-russa emocional". À NBC contou que as discussões durante as deliberações foram tão intensas que os jurados suplentes conseguiram ouvi-las e chegaram pensar que existiam conflitos graves entre os membros do coletivo. Na realidade, explicou, estavam todos determinados em alcançar um consenso.
A presidente do júri afirmou ainda que foi "com o coração partido" que escreveu a nota final do júri destinada ao juiz. "Fiquei tão triste, tão triste por não termos conseguido chegar a um veredito para a Lindsay. Foi de partir o coração", disse à NBC na terça-feira.
Carlson revelou também que as deliberações do júri foram muito emotivas. "Houve muito choro, muitas partilhas, muitas lágrimas e depois abraços", recordou. As três mulheres que falaram com a NBC garantiram que graças a este processo rapidamente desenvolveram uma amizade próxima.
Carlson, Kellie Farina (diretora num centro de idosos) e Paula Delvin (funcionária de uma empresa no setor da defesa) deixaram ainda críticas à procuradoria (acusação). Em contraste, consideraram que o advogado de defesa de Lindsay, Kevin Reddington, foi a figura mais autêntica ao longo do julgamento.
Por fim, Carlson deixou claro que, caso seja realizado um novo julgamento, tenciona comparecer às sessões para apoiar a defesa de Clancy. Ainda assim, confessou, espera que o caso não volte a ser julgado.
Recorde-se que Lindsay Clancy tinha sido acusada de triplo homicídio. O marido disse ter encontrado as crianças estranguladas com uma fita de ginástica assim que chegou a casa e que a mulher estava caída no meio da neve, pois teria alegadamente tentado o suicídio. O caso ocorreu em 2023 mas só em julho deste ano começou a ser julgado. O júri não chegou a consenso sobre o processo e o julgamento acabou por ser anulado.