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Júri do caso Lindsay Clancy continua num impasse, o que pode acontecer?

Débora Calheiros Lourenço 03 de setembro de 2026 às 11:48

Passadas 30 horas de deliberação, é cada vez mais provável que o julgamento seja anulado.

Passada quase uma semana desde que o júri do caso Lindsay Clancy, a mulher de 36 anos que matou os três filhos em Massachusetts, começou a deliberar ainda não há decisão. Na noite de quarta-feira, passadas 30 horas de deliberação, o juiz autorizou os membros do júri a interromperem a sessão, que vai recomeçar esta quinta-feira.  

Lindsay Clancy Greg Derr/The Patriot Ledger via AP, Pool

Os membros do júri parecem estar tão divididos quanto o resto do país em relação a este caso que chamou a atenção para a saúde mental materna, sobretudo no pós-parto. Isto porque a defesa argumentou que a ex-enfermeira sofria de psicose pós-parto no momento em que o crime ocorreu, o que gerou uma onda de apoio e compreensão, no entanto uma outra parte da população acredita inequivocamente que a mulher estava sã no momento dos atos e fê-lo de forma premeditada.  

O juiz tem pedido que o júri - composto por nove mulheres e três homens - faça um esforço para quebrar o impasse e que considerem a razoabilidade das suas próprias opiniões uma vez que considera “desejável que o caso seja decidido”. Na realidade existem cinco opções que o júri pode tomar: declarar Lindsay culpada de homicídio qualificado, culpada de homicídio simples, culpada de homicídio involuntário, inocente por falta de responsabilidade criminal ou inocente.  

Ainda assim é muito pouco provável que Lindsay Clancy seja considerada inocente, especialmente porque a própria defesa nunca negou que a mãe estrangulou os seus três filhos até à morte. No estado de Massachusetts a condenação por homicídio qualificado acarreta uma pena obrigatória de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Mas se os jurados considerarem que Lindsay Clancy não era criminalmente responsável pela morte dos três filhos esta será internada numa instituição psiquiátrica e a sua situação será avaliada anualmente.  

Se o juiz declarar o julgamento nulo por falta de veredito é bastante provável que os procuradores manifestem a sua intenção de levar o caso a novo julgamento, com um novo júri. Ainda assim neste caso existem outros três cenários possíveis: a defesa a e acusação podem chegar a um acordo para evitar um segundo julgamento; uma das partes pode também pedir a transferência do processo para outro tribunal do estado alegando que não estão reunidas as condições para garantir um julgamento justo; ou o Ministério Público pode decidir não avançar com um novo julgamento – o que é pouco provável.  

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