Mais de 400 camiões esperados em marcha lenta do setor de terraplanagens contra preço dos combustíveis
A manifestação reunirá uma série de empresas do ramo das terraplanagens, movimentação de terras, extração de inertes e transportes.
Uma marcha lenta organizada por empresários de terraplanagens pode juntar mais de 400 camiões a partir das 07:30 desta sexta-feira, num percurso entre Paredes e Coimbra através da A42, A41 e A1, para exigir "respostas concretas" face ao aumento dos combustíveis.
"Temos, neste momento, a participação de mais de 100 empresas e de 400 carros pesados", avançou à agência Lusa Miguel Machado Mendes, advogado representante dos promotores da iniciativa.
Segundo explicou, a marcha lenta "resulta de um movimento espontâneo de uma série de empresas do ramo das terraplanagens, movimentação de terras, extração de inertes e transportes", um subsetor da construção civil "muito exposto e vulnerável ao aumento do custo das energias", nomeadamente do gasóleo.
Salientando que "o gasóleo é um custo de produção que significa quase 70% do preço final" que estas empresas apresentam aos clientes, Miguel Machado Mendes afirmou que "a subida histórica do preço dos combustíveis está a colocá-las diante de um cenário insustentável".
"Desde 27 de fevereiro deste ano, o preço do gasóleo em Portugal passou de 1,59 euros para 2,22 euros por litro, um aumento de 63 cêntimos por litro", concretizam numa nota de imprensa os promotores da iniciativa, afirmando-se "discriminados pelas recentes medidas de incentivo do Governo", que não se aplicam ao seu setor de atividade, e reclamando "descontos profissionais idênticos aos do setor dos transportes de passageiros e de mercadorias".
Os empresários do setor das terraplanagens enfatizam que "a situação é particularmente grave porque muitas destas empresas estão a executar contratos, com preços e serviços acordados antes desta escalada dos custos", e alertam que "é com a escavação, terraplanagem e extração que começam todas as obras de construção civil, sinal da importância estratégica desta atividade".
Lembrando que "têm vindo a absorver sucessivos aumentos de custos, novas exigências e alterações às condições de trabalho", as empresas do setor afirmam que "essa capacidade tem limites" e alertam: "Se não conseguirem continuar a trabalhar em condições economicamente sustentáveis, muitas obras do país serão inevitavelmente afetadas", garantem.
A GNR já anunciou que vai ter um dispositivo policial "especialmente direcionado" para acompanhar a marcha lenta de camiões e está preparado para adotar "as medidas que se revelem necessárias".
Numa resposta enviada à Lusa sobre o dispositivo montado para a marcha lenta a GNR indica que está a acompanhar e a monitorizar a iniciativa, mantendo contactos com os respetivos promotores para "garantir as necessárias condições de segurança e de minimizar os constrangimentos à circulação rodoviária".
A Guarda Nacional Republicana salienta que são expectáveis constrangimentos à circulação rodoviária e não estão previstos corte nas autoestradas A41, A42 e A1, mas mantém-se "atenta à evolução da situação e preparada para adotar as medidas que se revelem necessárias".
A marcha lenta de hoje pretende assim ser um "protesto contra o aumento do gasóleo e o tratamento discriminatório por parte do Governo", tendo início pelas 7:30, junto à entrada de Lordelo da A42, de onde seguirá rumo à A41, no sentido norte sul, e depois pela A1, no mesmo sentido, até Coimbra Sul, onde terminará.