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Irão: EUA planeiam sancionar outro banco para travar transações com Teerão

Lusa 31 de agosto de 2026 às 07:07

Medida integra a "Operação Pária Económico" contra o Irão, que impõe sanções a todos os que façam negócios com o regime de Teerão.

Os Estados Unidos (EUA) pretendem impor nos próximos dias sanções a outro banco, numa tentativa de travar as transações com o Irão, afirmou esta segunda-feira o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, à agência noticiosa Associated Press (AP).

Scott Bessent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos da América EPA

As declarações foram feitas antes do encontro do Grupo do G20 em Asheville, na Carolina do Norte, onde Scott Bessent vai reunir-se individualmente com os seus homólogos das principais economias mundiais e dos países em desenvolvimento para incentivar a participação no isolamento económico do Irão.

"Isto vai ser violência financeira, se for preciso", afirmou Bessent na entrevista à AP, acrescentando: "Estamos a mostrar às pessoas que sabemos quem são, elas sabem quem são, e isto tem de parar", sem revelar a instituição bancária em causa.

Na segunda-feira passada, Scott Bessent anunciou os pormenores da "Operação Pária Económico" contra o Irão, com o objetivo de impor sanções a todos os que façam negócios com o regime de Teerão, cuja economia já é alvo de fortes medidas sancionatórias.

Nesse dia, Bessent pressionou os países que continuam a fazer negócios com o Irão a cortar os seus laços financeiros ou a enfrentar retaliações por parte dos Estados Unidos.

Trump apelidou esta nova ofensiva económica contra o Irão como o "Dia D económico".

A primeira medida oficial do Tesouro no âmbito desta ofensiva económica foi uma proposta de regulamentação anunciada na sexta-feira que, se for aprovada, retirará às sucursais nos Emirados Árabes Unidos do banco Misr, o segundo maior banco do Egito, o acesso ao sistema financeiro norte-americano.

No sábado, o Banco Central dos Emirados Árabes Unidos anunciou uma inspeção às sucursais no país do banco público egípcio Misr.

Em causa está a acusação dos EUA à filial do Misr nos Emirados Árabes Unidos de ser um eixo financeiro fundamental para o regime iraniano, uma vez que segundo Washington, entre janeiro de 2024 e junho de 2026, "processou aproximadamente 1,8 mil milhões de dólares [cerca de 1,5 mil milhões de euros ao câmbio atual] para 103 empresas que fazem potencialmente parte de redes bancárias paralelas iranianas".

Na prática, a medida deverá impedir a filial do Misr de utilizar o dólar nas suas transações quotidianas.

O Banco Central do Egito reagiu de imediato, garantindo estar "em contacto com os norte-americanos relativamente a estas medidas".

A guerra entre os Estados Unidos e o Irão completou na sexta-feira seis meses sem que Washington tenha conseguido eliminar o programa nuclear iraniano ou provocar uma mudança de regime em Teerão.

O conflito deixa para já como rasto, entre outros aspetos, uma crise energética mundial, repercussões à escala global no custo de vida, um Médio Oriente ainda mais instável e um dilema político com relevância eleitoral para o Presidente Donald Trump, que disputa o controlo do Congresso norte-americano nas eleições intercalares de novembro.

A "Operação Fúria Épica" começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva aérea de grande escala contra instalações militares, nucleares e dirigentes iranianos, causando, entre outras mortes, a do líder supremo, Ali Khamenei.

Em reação à ofensiva israelo-americana, o regime de Teerão respondeu com ataques na região e o bloqueio do estreito de Ormuz.

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