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Orçamento: Carneiro propõe abstenção mas admite que "convicções mais profundas" levariam a voto contra

Lusa 10 de outubro de 2026 às 15:24

Líder do PS explicou que optou pela abstenção porque a oposição é ao Governo e não ao país.

O líder do PS admitiu este sábado que as "convicções mais profundas" levariam a um voto contra num "mau Orçamento do Estado", mas explicou que optou pela abstenção porque a oposição é ao Governo e não ao país.

O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro (C) MANUEL FERNANDO ARAUJO / EPA

"A razão de ser fundamental desta nossa Comissão Nacional tem muito que ver com a proposta que tenho para vos apresentar de abstenção em relação à proposta do Orçamento do Estado. Faço-o por razões ponderosas. Bem sei que, no fundo de cada uma e de cada um de vós, estão razões também ponderosas para que nós pudéssemos propor um voto contra este Orçamento do Estado", disse José Luís Carneiro na intervenção inicial da reunião do órgão do PS, em Lisboa.

De acordo com o secretário-geral do partido, as "convicções mais profundas" do PS levariam para a "ideia do voto contra" no Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).

"Mas nós não somos um partido qualquer. Nós fazemos oposição ao Governo, mas nós não fazemos oposição a Portugal. É uma grande diferença em relação a outros", justificou.

Segundo Carneiro, este é um "mau Orçamento" e Portugal "está mal". E com "as más opções do Governo o país pode ficar pior", alertou.

"Nós não podemos deixar o país sem Governo e não podemos deixar o país sem um Orçamento. Porque estamos a viver um momento muito difícil", justificou.

De acordo com o líder do PS, "este momento não é um momento político qualquer", tendo em conta "a incerteza na segurança e na defesa europeias, a crise no Médio Oriente", que estão a "agravar a crise dos Estados e das sociedades".

"Sabemos bem: esta não é, nunca seria, a nossa proposta do Orçamento", defendeu, considerando que criar "condições para que o país não entre numa crise política" é "um dever de todos".

Carneiro criticou ainda o OE por "abrir as portas a opções estratégicas que têm no mínimo um caráter duvidoso".

"Não percebemos, aliás, como é que um Governo que diz que não tem recursos tenha decidido, sem dialogar com ninguém, um denominado fundo soberano num congresso partidário. E como é que decidiu, sem falar com os partidos da oposição, colocar cerca de 400 milhões de euros na REN", criticou.

Carneiro questionou ainda a intenção do Governo, conhecida através das notícias e sem diálogo com os partidos, de "entrar numa participação no sistema bancário".

"Portanto, não venha, doutor Luís Montenegro, dizer que faltam os recursos ao país para responder às necessidades das pessoas, ao custo de vida, aos combustíveis, à energia, ao gás, aos bens alimentares essenciais, quando está a tomar opções desta natureza", condenou.

Ao longo da sua intervenção, em que defendeu a viabilização do OE2027, o dirigente enfatizou que as prioridades do PS "seriam outras".

"Como é que é possível que um Governo, no Orçamento, tenha aquela opção que tomou há um ano, que nós criticámos, de reduzir um ponto percentual no IRC a todas as grandes empresas? Sabem quanto é que isso significa por ano? Menos 300 milhões de euros de receita", denunciou.

Carneiro fez as contas e referiu que, se o Governo durar quatro anos, isso representa "1.200 milhões de euros a menos de receita nas grandes empresas".

"Quem é que apoiou também esta proposta? O Chega", criticou.

Na semana passada, e ainda antes de ser conhecida a proposta do Governo, José Luís Carneiro anunciou, em entrevista ao jornal Eco, que ia propor aos órgãos do partido que os socialistas se abstivessem e assim viabilizassem o documento, depois das garantias que tinham sido deixadas pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre condições colocadas pelo PS.

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