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Mau tempo: Região de Leiria pede reforço da comparticipação do Fundo de Emergência Municipal

Lusa 16 de setembro de 2026 às 13:21

No âmbito da reparação dos estragos decorrentes das tempestades do início do ano.

A Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria pediu o reforço da comparticipação do Fundo de Emergência Municipal (FEM) para 100% dos custos elegíveis, no âmbito da reparação dos estragos decorrentes das tempestades do início do ano.

Imagem captada por drone das inundações na cidade de Leiria depois de o concelho ter sido gravemente afetado pela depressão Kristin Pedro Castanheira e Cunha/ Lusa

"A CIM da Região de Leiria vem solicitar aos grupos parlamentares que possam diligenciar, no âmbito das suas competências e junto dos demais órgãos competentes, no sentido de ser aprovado o reforço da comparticipação do FEM para 100% dos custos elegíveis, aplicável aos municípios e freguesias afetados" pelas tempestades, "à semelhança do que já sucedeu noutras situações de calamidade", lê-se numa carta à qual a agência Lusa teve hoje acesso.

Na missiva, datada de terça-feira, a CIM pediu ao presidente da comissão parlamentar de Economia e Coesão Territorial para que solicite "a atenção e o empenho" da Assembleia da República nesta matéria, que "assume particular urgência para as populações e para as autarquias" da Região de Leiria.

Em 31 de julho, foi publicado em Diário da República o despacho que permite às autarquias abrangidas pela calamidade causada pelas tempestades candidatarem-se a um apoio máximo de 60% dos estragos comprovados, através do FEM, para recuperar infraestruturas danificadas.

O despacho permite candidaturas para o "financiamento da reparação, reconstrução e reposição de infraestruturas e equipamentos públicos afetados pelos fenómenos meteorológicos excecionais e graves ocorridos nos territórios" abrangidos pela declaração de calamidade.

Estes apoios destinam-se aos municípios, freguesias e entidades intermunicipais e as candidaturas podem ser apresentadas até 30 de novembro.

Através da carta, a CIM advertiu que "o peso financeiro dos prejuízos causados por intempéries e por incêndios rurais tem-se revelado, ano após ano, insustentável para os orçamentos das autarquias", sendo que a assunção dos remanescentes 40% do valor das obras de reconstrução das tempestades "compromete gravemente a saúde financeira" daquelas e atrasa "a reposição dos serviços essenciais às populações".

A CIM recordou ainda que a legislação do FEM prevê a possibilidade de o parlamento aprovar um reforço da comparticipação do Estado até 100% dos cursos elegíveis, "competência já exercida no passado" para com autarquias severamente atingidas por fogos rurais.

Reclamando que idêntico critério seja aplicado aos territórios afetados pelas tempestades, em particular a Kristin, que atingiu gravemente a Região de Leira, a CIM assinalou que esta pretensão "não acarreta risco acrescido para o Orçamento do Estado", pois a dotação para compensar os danos em habitações não está esgotada e a Comissão Europeia reforçou os apoios no âmbito do Fundo de Solidariedade.

Na semana passada, o presidente da CIM, Jorge Vala, considerou "manifestamente insuficiente" o apoio máximo de 60% às autarquias relativo aos estragos decorrentes das tempestades do início do ano, assumindo "a expectativa de que possa haver uma proposta na Assembleia da República por forma a reforçar, como já houve noutras situações, o FEM para 85% ou 100%".

Integram a CIM os municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metades das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros.

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