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Habitação. Cerca de mil pessoas na Praça D. João I no Porto

Lusa 01 de novembro de 2026 às 17:31

Não é visível a presença nem de agentes da PSP nem da Polícia Municipal na praça onde decorreu a carga policial durante a madrugada.

 Cerca de mil pessoas estavam, pelas 17h00, na Praça D. João I, no Porto, um espaço onde a essa hora se ouvia uma banda, se imprimiam serigrafias e havia crianças no chão a desenhar casas.

Manifestantes pelo direito à habitação reunidos na Praça D. João FERNANDO VELUDO / EPA

Num cenário bem diferente do que sucedeu 13 horas antes, quando uma nova carga policial afastou a Acampada pela Habitação do seu espaço de manifestação, o ambiente era bastante descontraído a aguardar pela concentração anunciada pelo movimento para as 17h00.

Não é visível a presença nem de agentes da PSP nem da Polícia Municipal.

A união de três estúdios de serigrafia do Porto ocupa um espaço lateral da praça, imprimindo a azul, cor-de-rosa e azul imagens de casas com a frase Acampada Porto 2026 para oferecer a quem se deslocar à praça, contou uma das funcionárias.

"Ao todo vamos imprimir 500 serigrafias", disse ainda, enquanto outra levava as já prontas para colocar no chão e, quem quisesse, recolher sem custos.

Com as laterais da praça cheias de pessoas sentadas e em pé, os cartazes retirados de madrugada antes da investida policial regressaram ao seu lugar, sendo visível outras lutas entre as mensagens desenhadas no cartão, lendo-se, num deles "Resíduos da Mina de Covas do Barroso pode poluir o rio Douro".

Quase do outro lado da praça, mas na mesma parede, numa lona a mensagem era outra, adaptada e inspirada na canção "Venham mais cinco", de Zeca Afonso: "Não me obriguem a vir para a rua morar, que é já tempo de haver casas para habitar".

Treze manifestantes foram detidos e treze polícias ficaram feridos na intervenção policial nas acampadas na última madrugada em Lisboa e Porto, anunciou o porta-voz da PSP, que justificou a ação da polícia com o aumento da resistência popular.

Em declarações aos jornalistas na sede da PSP em Lisboa, Sérgio Soares argumentou que o uso da força só aconteceu após os manifestantes atirarem tintas e petardos contra a polícia.

Entre os 13 detidos na intervenção policial nas manifestações pelo direito à habitação, o porta-voz da PSP explicou que seis foram detidos em Lisboa e sete no Porto.

Já dos polícias feridos, todos no Porto, 10 eram da polícia de intervenção e três estavam numa unidade à civil.

Um quarto polícia desta unidade à paisana no Porto retirou a arma de fogo quando os manifestantes se aproximaram, admitiu Sérgio Soares.

Os manifestantes da Acampada do Porto denunciaram a atuação "desproporcionada, inconstitucional e sem fundamento legal" contra um protesto pacífico da PSP.

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