Em Lisboa morreram 206 pessoas cujo corpo não foi reclamado este ano
Entre os corpos não reclamados há 15 crianças. Por norma são pessoas em situação de grande pobreza, refere a irmandade de São Roque.
Este ano, só em Lisboa, morreram 206 pessoas cujo corpo não foi reclamado, o número mais alto desde 2021 (ano da pandemia). Entre os corpos não rclamados estão os de 15 crianças, avança o jornal Expresso.
“O número tem vindo a subir e, na esmagadora maioria dos casos, são crianças que nascem com malformações e que acabam por morrer. Quando saem da maternidade, as mães dão moradas de casa falsas porque não podem ou não querem pagar um funeral”, conta ao semanário Mário Pinto Coelho, irmão provedor da Irmandade de São Roque, organização que reza missa e sepulta os mortos que ninguém reclama na zona de Lisboa. Mário Pinto Coelho esclarece ainda ao Expresso que a maior parte de caso são de idosos que vivem sozinhos e morrem nas suas casas ou pensões.
A irmandade de São Roque sepulta as pessoas que morrem abandonadas em Lisboa há mais de 20 anos. Os números mais recentes mostram uma tendência de subida constante: 152 casos em 2023; 175 no ano seguinte e 187 no ano passado, sendo que o valor mais elevado foi mesmo o de 2021, com 233 pessoas cujos corpos não foram reclamados.