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Covid-19: Hospital São João presta apoio psicológico a doentes e familiares

13 de março de 2020 às 12:05

A atual equipa de nove psicólogos foi constituída e está a trabalhar desde o início desta semana, podendo vir a ser reforçada se tal for considerado necessário.

Nove psicólogos com experiência ou formação em situações de crise está a acompanhar diariamente, via telefone, doentes infetados pelo novocoronavírus, bem como seus familiares no Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), no Porto.

Como é que as famílias estão em casa e se estão acompanhadas e estáveis, bem como saber o que reserva o futuro "num cenário em que o desconhecimento sobre a doença impera", ou preocupações e desabafos relacionados com a culpabilidade por eventual transmissão da doença, têm sido as abordagens mais frequentes dos doentes infetados que estão a ser acompanhados no CHUSJ, disse, esta manhã, aos jornalistas, o diretor de serviço de psicologia do Hospital de São João, Eduardo Carqueja.

"Querem saber se as pessoas estão estáveis em casa também. A dimensão da família é muito importante. Manifestam dúvida sobre o que lhes vai acontecer. E há doentes que manifestam uma culpabilidade por terem transmitido [o vírus] a familiares e amigos. O que temos transmitido é que a culpa é do vírus. Pode ter existido, eventualmente, alguma irresponsabilidade das pessoas, mas cabe-nos explicar e normalizar. O que está a acontecer é decorrente de uma situação extraordinária e desconhecida", explicou Eduardo Carqueja.

A atual equipa de nove psicólogos foi constituída e está a trabalhar desde o início desta semana, podendo vir a ser reforçada se tal for considerado necessário.

De acordo com Eduardo Carqueja, pelo memos 20 doentes já solicitaram ou autorizaram intervenção psicológica, a qual é prestada por telefone para evitar usar recursos que possam vir a ser necessários em outro nível de intervenção, bem como para limitar o contacto ao estritamente necessário.

O serviço de psicologia do CHUSJ tem atualmente 28 psicólogos e está a trabalhar em conjunto com o serviço de infecciologia, tendo sido criado um protocolo específico de intervenção psicológica dedicada ao surto de Covid-19, que já foi declarado como pandemia pela Organização Mundial de Saúde.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) atualizou quinta-feira o número de infetados, que registou o maior aumento num dia (19), ao passar de 59 para 78, dos quais 69 estão internados.

A região Norte continua a ser a que regista o maior número de casos confirmados (44), seguida da Grande Lisboa (23) e das regiões Centro e do Algarve, ambas com cinco casos confirmados da doença.

O boletim divulgado na quinta-feira assinala também que há 133 casos a aguardar resultado laboratorial e 4.923 contactos em vigilância, mais 1.857 do que na quarta-feira.

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