Chega avança com moção de censura ao Governo
O PS anunciou que vai votar contra a moção de censura, mas mesmo assim o Chega já deu entrada com o pedido.
Chega avança com moção de censura ao Governo na sequência das polémicas que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves. No entender de André Ventura, o País vive uma situação de “absoluta insustentabilidade do ponto de vista ético e da credibilidade das instituições e que não existem nenhumas condições que possam justificar manter Luís Neves. “Não era desejável, mas a degradação das instituições obrigou-nos a fazê-lo. Se o primeiro-ministro não entende que é uma questão de dignidade do Estado, o principal partido da oposição deve demonstrar-lho”, acrescentou ainda.
"Luís Neves não tem perfil para ser ministro numa democracia", acusou André Ventura, em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, acompanhado pelos deputados Cristina Rodrigues, Pedro Frazão e Nuno Gabriel. "Se Luís Neves continuar, deixámos de ter um Governo liderado por Luís Montenegro e passámos a ter um Governo liderado por Luís Neves", defendeu, afirmando que a autoridade do primeiro-ministro "está irremediavelmente colocada em causa", afirmou Ventura.
A partir da sede do Chega, André Ventura afirmou que nas últimas semanas o Estado português tem estado “cada vez mais envolvido num lamaçal de indignidade” devido às suspeitas que recaem sobre o ministro da Administração interna.
É uma moção de censura que já estava chumbada ainda antes de ser anunciada. O secretário-geral do PS assegurou, esta quarta-feira, que não será pelo seu partido que haverá “crise política” em Portugal, mas insistiu que o primeiro-ministro “tem de assumir” a “responsabilidade” na polémica em torno do ministro Luís Neves.
"Eu reitero aquilo que disse, o primeiro-ministro é o primeiro e mais importante responsável por tudo quanto tem que ver com o Governo. Só ele convida, só ele exonera. E o primeiro-ministro tem que ter consciência do que se tem vindo a passar, tem vindo a degradar a confiança dos cidadãos nas suas instituições políticas e ele tem deveres, tem uma responsabilidade que não pode alienar nem pode entregar aos outros. Ele próprio tem de assumir essa responsabilidade", concluiu.