Chegada
Aos poucos, já começava a "sonhar para a frente e a sorrir para trás", recuperando a mensagem adormecida de uma curvada idosa e a sabedoria dos levadeiros que preferiam encaminhar a água para fazer vida a desperdiçar vida à espera da água.
Aos poucos, já começava a "sonhar para a frente e a sorrir para trás", recuperando a mensagem adormecida de uma curvada idosa e a sabedoria dos levadeiros que preferiam encaminhar a água para fazer vida a desperdiçar vida à espera da água.
Apetecia-me frango assado. Quando chegasse a casa ainda ia às compras. Talvez conseguisse rever umas coisas à noite, para compensar a desgraça da manhã.
O telemóvel. Falam mal do telemóvel. Dizem que nos isola. O meu não. Faz-me companhia. Elas gostam de mensagens. Algumas adoram áudios. Olho para o ícone na esperança sei lá do quê.
O restaurante ficava perto da Igreja de São Roque, com a promessa de descida ao Cais do Sodré para lavar as vistas com nacionais e estrangeiras, já que era importante que eu não me esquecesse de que "há mais mundo".
A relação já não era boa para ninguém. Sabia que não devia ter regressado. Cometeu os seus erros e regressar foi um deles.
As semanas passavam e sentia-me de castigo, à experiência, como se me coubesse conquistar a confiança. Mas sonhava-nos velhos. E ela sorria, afagava-me a mão, brindava-me com um jogo de pés, já se pendurava no braço. Estávamos a evoluir. Só começámos devagar.
Encontrei curvas onde nunca me tinha aventurado. Depois… a desempoeirada. Era a estrada que me abrigara numa nova monotonia. Diferente. Uma monotonia diferente. Daquelas que não cansam. Porque só enjoa aquilo de que se gostou ao engano.
A semana passou devagar. E escondi. Escondi o mais que pude. Do "super slim", do convertido, das miúdas, de toda a gente. Escondi para que não me demovessem. Não se pede o conselho que não se quer.
A felicidade é um contexto que se abraça. Não é um absoluto. Os mais flexíveis são os mais felizes.
A mala e a minha organização eram o primeiro desconfortável conforto de quem tem demasiado controlo sobre as suas rotinas. Não havia ninguém para me desempoeirar.
De volta ao trânsito, entre a irritação de não me deixarem respirar e a vaidade de me sentir imprescindível. Ia gozá-la um bocadinho.