Quando tudo falha, os juízes continuam
A justiça manteve-se em funcionamento porque os juízes continuaram a exercer a função em condições difíceis, assegurando decisões e tramitação mesmo quando essas condições interferiam diretamente com o trabalho quotidiano.
A justiça torna-se tema quando alguma coisa falha. É nesses momentos que se concentra a atenção pública, ficando fora desse foco o que, em circunstâncias difíceis, continua a ser assegurado todos os dias.
Os tribunais têm funcionado sob condições particularmente exigentes.
No contencioso associado à atuação da AIMA, concentrou-se um volume elevado de ações dirigidas a reagir contra omissões administrativas em matérias sensíveis, muitas delas com natureza urgente, impondo decisões em prazos especialmente exigentes. Em paralelo, a transição e atualização dos sistemas informáticos judiciais introduziram dificuldades concretas na prática dos atos jurisdicionais, com falhas de acesso a processos, perturbações na tramitação e limitações na formalização de decisões. A estas circunstâncias juntaram-se problemas materiais relevantes em diversos edifícios judiciais, atingidos por infiltrações, danos estruturais e condicionamento de espaços essenciais ao trabalho diário.
Ainda assim, os juízes continuaram a trabalhar nessas condições, em articulação com oficiais de justiça e demais funcionários, cujo contributo foi essencial para o funcionamento dos tribunais. Fizeram-no com sistemas instáveis e com limitações técnicas que interferiam diretamente com a prática dos atos. Fizeram-no em edifícios degradados, com salas inutilizadas e gabinetes afetados. Fizeram-no sob pressão processual elevada, em matérias que exigiam resposta rápida e juridicamente exigente.
E decidiram. Tramitaram processos. Garantiram tutela jurisdicional efetiva.
O funcionamento da justiça depende, em termos concretos, de quem exerce a função. Resulta de um trabalho diário que não se interrompe quando os meios disponíveis são instáveis ou insuficientes. É esse trabalho que permite que a justiça continue a cumprir a sua função, não apenas na resolução de litígios, mas na aplicação do direito em termos que asseguram previsibilidade, confiança e estabilidade. Sem essa continuidade, não há segurança jurídica nem credibilidade institucional.
A justiça manteve-se em funcionamento porque os juízes continuaram a exercer a função em condições difíceis, assegurando decisões e tramitação mesmo quando essas condições interferiam diretamente com o trabalho quotidiano. Foi essa disponibilidade, constante e exigente, que impediu que as dificuldades comprometessem o funcionamento dos tribunais.
É nesse exercício da função, em condições adversas, que os juízes portugueses contribuem decisivamente para a continuidade do funcionamento do Estado, facto que não pode, nem deve, ser omitido quando se avalia a justiça.
Quando tudo falha, os juízes continuam
A justiça manteve-se em funcionamento porque os juízes continuaram a exercer a função em condições difíceis, assegurando decisões e tramitação mesmo quando essas condições interferiam diretamente com o trabalho quotidiano.
Mulheres na Justiça
Em Portugal, a evolução das últimas décadas revela uma transformação significativa na composição da magistratura judicial, que hoje integra um número muito expressivo de mulheres no exercício da função jurisdicional.
A importância da justiça em tempos de crise
Para o cidadão que depende de uma indemnização para reconstruir a sua habitação, para o trabalhador cuja situação contratual se altera ou para a empresa que necessita de reorganizar compromissos financeiros, a existência de tutela jurisdicional efetiva constitui condição de segurança.
Entre o diagnóstico e a resposta
A insuficiência de juízes não é uma perceção recente, nem uma dificuldade circunstancial. É uma realidade reconhecida há vários anos, com impacto direto na capacidade de resposta destas estruturas e na forma como a jurisdição é percecionada por quem dela depende.
Depois da sentença
Cumprir uma sentença não é um ato meramente administrativo, automático ou secundário. É, em sentido próprio, uma nova decisão jurídica, enquadrada pela decisão judicial, que traduz a submissão da Administração à legalidade e à autoridade dos tribunais.
Edições do Dia
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